YouTube é uma boa fonte de informações médicas?

O YouTube é uma boa fonte de informações médicas?

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O fenômeno brasileiro das notícias falsas (ou fake news) tem chamado a atenção de todo o mundo há muito tempo. De conspirações envolvendo política a problemas de saúde, o YouTube tem sido uma fonte de informação para milhões de pessoas. Tanto que o New York Times, o jornal mais respeitado dos EUA, acaba de publicar dois artigos sobre o Brasil e o YouTube. Parte de cada artigo era sobre como os brasileiros obtêm informações de saúde via a plataforma de streaming.

Brasileiros radicalizados pelo YouTube

O primeiro artigo tem o título Como o YouTube radicalizou o Brasil. Nele, os autores discutem como a plataforma ajudou a mudar o clima político no Brasil e também como avançou em vídeos de conspiração de saúde, que dificultaram o trabalho de muitos médicos e profissionais de saúde pública.

O artigo também busca explicar como funciona a lógica do YouTube: o objetivo principal é manter os espectadores on-line e assistir aos vídeos o maior tempo possível. Assim, quanto mais tempo o espectador estiver assistindo, mais tempo verá videoclipes de publicidade e mais dinheiro o YouTube ganhará. Neste processo, é usada inteligência artificial para “fisgar” o espectador, recomendando vídeos mais interessantes e provocativos.

O YouTube sabe que os vídeos que provocam mais emoção são mais propensos a serem vistos, e que as emoções mais eficazes evocam medo, dúvida ou raiva. Normalmente, vídeos divulgados por canais reconhecidos de saúde pública ou médica não provocam essas reações.

Os vídeos que evocam emoções fortes têm maior probabilidade de promover vídeos mais “interessantes” e mais extremos. Eles podem prometer alguma “verdade oculta” ou conspiração – e é aqui que canais de pouca credibilidade, inclusive que se dizem de saúde, ganham audiência.

“Dr. YouTube”

Muitas pessoas recorrem às mídias sociais para buscar notícias e informações médicas. Isso é especialmente verdadeiro em relação a doenças assustadoras e misteriosas, como o Zika. Dessa forma, já sabendo como funciona a lógica de exibição das plataformas, vídeos que afirmam que o vírus Zika é transmitido por vacinas ou é espalhado por inseticidas acabam atraindo muita atenção.

Essas afirmações não são verdadeiras. O Zika é transmitido por um vírus, tanto em picadas de mosquitos quanto em relações sexuais desprotegidas. Mas muitas pessoas acreditam em vídeos com ideias de conspiração e compartilham com seus amigos e familiares. O resultado é que um número crescente de pessoas, particularmente no Norte do Brasil, onde o Zika é mais comum, está se recusando a tomar vacinas e a ter suas comunidades pulverizadas com larvicidas, que matam larvas dos mosquitos infectados pelo Zika.

Segundo um especialista ouvido pelo New York Times, muitos pais estão desafiando conselhos e orientações médicas sobre como cuidar de seus filhos com doenças graves, alegando que viram outra informação no YouTube.

YouTube e WhatsApp

O segundo artigo do New York Times tem o título Como a desinformação no Youtube resolveu um mistério do WhatsApp no ​​Brasil. Este artigo inclui mais detalhes sobre como os médicos estão recebendo ameaças com base nos vídeos de conspiração. Mesmo muitas mães com nível superior de educação estão preocupadas com vacinas importantes que deveriam ser dadas a seus filhos porque temem que também possam estar disseminando o vírus Zika (o que, obviamente, não é verdade).

Você pode ler o artigo aqui (em inglês).

O YouTube é uma boa fonte de informações médicas?

Geralmente não. Não aceite o que vê no YouTube como verdade. Muita desinformação está chegando às pessoas, inclusive a você, com base na lógica de mercado do YouTube – quanto mais ele mantiver você ligado e assistindo seus vídeos, mais dinheiro ele ganha. Busque assistir a canais reconhecidos pela comunidade médica. E, sempre que tiver alguma dúvida, procure orientação médica ou de um profissional confiável de saúde.

Para encontrar um médico em qualquer lugar do Brasil, vá até a ProcuraMed.com

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