Muito tempo em frente a tela digitais prejudica o cérebro da criança

Muito tempo em frente a tela prejudica o cérebro da criança?

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Há algumas gerações, os pais estavam preocupados com as crianças que ouviam rádio demais. Depois, a preocupação era com o tempo gasto em frente à TV. Agora, as mesmas preocupações estão sendo levantadas em relação ao tempo excessivo olhando para telas digitais de celulares, tablets, computadores, TV e videogames.

Quando a TV foi criada, não se faziam varreduras cerebrais. Agora, com imagens cerebrais avançadas disponíveis, os pesquisadores têm realizado a varredura do cérebro de algumas crianças, procurando por mudanças estruturais. Alguns estudos mostram que realmente há mudanças, mas a questão permanece: essas mudanças são ruins? Elas podem levar a problemas de aprendizagem? Ou talvez essas mudanças ajudem a criança a se adaptar melhor a um futuro digital?

O estudo ABCD

Em 2013, os Institutos Nacionais de Saúde (EUA) iniciaram um ambicioso estudo (chamado ABCD) envolvendo 11.800 adolescentes, em 21 centros médicos. Todos os anos, até o final da adolescência, cada criança é submetida a uma ressonância magnética. Quaisquer alterações identificadas são correlacionadas com o uso de substâncias como álcool e maconha, fumo ou vaping, histórico de concussão e tempo de exposição as telas digitais.

O estudo ainda está em andamento, mas os primeiros resultados foram publicados recentemente e alguns especialistas estão preocupados. Os resultados mostram que algumas crianças que possuem tempo de exposição a telas eletrônicas maior que a média apresentaram menores escores nos testes de aptidão. Mas algumas crianças que tiveram longos tempos de tela não apresentaram problemas.

Em seus exames de ressonância, algumas das crianças com maior tempo de tela apresentaram alterações estruturais, alterações que normalmente não são vistas até que a criança seja mais velha. Mas, novamente, os pesquisadores não podem dizer se essas mudanças são boas ou ruins. Observe que muitos outros fatores causam mudanças cerebrais estruturais nas crianças, incluindo viver em situação de pobreza, sofrer abuso ou muito tempo de leitura.

A conclusão dos resultados também é outra questão: o que causou o que? Talvez algumas das crianças com transtornos de deficit de atenção, problemas de humor ou dificuldades mentais não tenham evoluído devido ao excesso de tempo de tela. Mas também pode ser que as crianças com problemas fossem mais atraídas pelas telas em primeiro lugar. Ou, ainda, é possível que as crianças com mais problemas comportamentais fossem encorajadas a usar dispositivos digitais por seus pais, para mantê-las distraídas.

Um estudo irlandês de 2014

Um estudo feito na Queens University (Belfast) analisou mais de 100 estudos sobre o uso da tela e as alterações cerebrais. Foram analisados os 43 melhores estudos disponíveis (aqueles com os melhores métodos de pesquisa) e os resultados foram mistos. Alguns estudos sugeriram que muito tempo de tela era prejudicial, enquanto alguns não encontraram problemas.

Para além do tempo de tela – depressão e ansiedade

Os resultados das pesquisas de varredura são incertos, no entanto, alguns especialistas estão convencidos de que as mudanças vistas indicam danos ao cérebro crescente. Entretanto, além das varreduras, existe uma área na qual os pesquisadores parecem concordar: tempo de exposição as telas pode aumentar a depressão e a ansiedade. O Instagram, e menos, o Facebook, tem sido correlacionado com crianças (e adultos) que se sentem pior sobre si mesmos. A comparação constante com os outros faz com que eles se sintam inadequados.

O outro problema relacionado ao tempo excessivo de exposição as telas digitais é que isso significa menos tempo para fazer o que as crianças deveriam estar fazendo. Por exemplo, praticar esportes e jogos, dormir, construir e destruir coisas, correr fora de casa ou lidar com familiares e amigos cara a cara. Todas essas coisas são importantes para o desenvolvimento social, e podemos suspeitar que a perda delas não seja uma coisa boa.

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