Tratamento com antiretrovirais impede transmissão de HIV

Tratamento com antiretrovirais impede transmissão de HIV entre casais

Sexualidade,

A epidemia global de HIV completa 35 anos. Apesar de ainda não ter cura, muitos avanços aconteceram ao longo deste tempo. Uma das questões mais recorrentes neste tema é com relação a casais, tanto homossexuais como heterossexuais, onde uma pessoa vive com HIV. Quão seguras são as relações sexuais quanto às chances de infecção?

Casais formados por um parceiro HIV positivo e um HIV negativo são referidos como sorodiscordantes. Um estudo de longo prazo, recém publicado na revista médica britânica The Lancet, buscou respostas sobre a segurança das relações sexuais para esses casais.

O estudo europeu do HIV

A primeira fase do estudo foi realizada entre 2010 e 2014 e incluiu 888 casais. A maioria era de casais heterossexuais, recrutados em 75 locais clínicos em 14 países europeus. Cada casal tinha um parceiro que era HIV positivo, mas que estava recebendo terapia antirretroviral (“coquetel”) que efetivamente reduzia a contagem de vírus para indetectável (ou menos de 200 cópias / ml). Os casais não estavam usando camisinhas durante o sexo.

Os resultados foram muito encorajadores. Os dados mostraram que o risco de transmissão do parceiro soropositivo indetectável e que fazia uso de antirretrovirais para o parceiro HIV negativo era zero.

É importante frisar, no entanto, que 11 pessoas HIV negativas se tornaram soropositivas durante os anos do estudo. Essas novas infecções foram explicadas por análises genéticas do vírus HIV em cada um desses casais.

Estes estudos genéticos mostraram que as pessoas que passaram a viver com o HIV foram contaminadas por uma estirpe genética diferente do vírus. Ou seja, essas pessoas foram infectadas pelo vírus em relações sexuais fora de seu relacionamento primário (tidas com pessoas que não o parceiro que participava do estudo). Aparentemente, quando os parceiros “se afastaram” de seu relacionamento primário e sem a proteção adequada do preservativo, acabavam vulneráveis ​​à infecção por alguém que era HIV positivo e cujo nível de vírus NÃO era indetectável.

A segunda parte do estudo decorreu entre 2014 e 2017 e incluiu apenas casais homossexuais (782 casais). Os resultados foram os mesmos da primeira fase do estudo. Houve uma taxa zero de transmissão do vírus do parceiro HIV positivo para o parceiro HIV negativo. Havia alguns homens HIV negativos que se tornaram soropositivos, mas novamente o teste genético provou que o vírus foi contraído em um ato sexual fora do relacionamento primário.

Carga viral indetectável torna o HIV intransmissível

De acordo com uma das líderes da pesquisa, a professora Alison Rodger, da University College, em Londres, a principal mensagem da pesquisa se refere à relevância do tratamento com antirretrovirais. “Nossas descobertas fornecem evidências conclusivas para homens gays de que o risco de transmissão do HIV com terapia antirretroviral supressiva é zero. Nossas descobertas apoiam a mensagem de que uma carga viral indetectável torna o HIV intransmissível”.

Esta é uma notícia muito reconfortante para casais sorodiscordantes. No entanto, é fundamental que o parceiro soropositivo faça o tratamento com medicamento antirretroviral fielmente, com exames regulares de sangue, para garantir que sua carga viral permaneça indetectável.

Outra mensagem importante do estudo é sobre o uso de preservativos. Se o parceiro HIV negativo tiver relações sexuais fora do relacionamento principal, assim como qualquer pessoa, ele poderá acabar contraindo o HIV em práticas sexuais desprotegidas com pessoas que vivem com o HIV e não fazem o tratamento adequado.

E sempre é bom lembrar: a terapia antirretroviral não impede a disseminação de outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis e a gonorreia. Apenas os preservativos são capazes de proteger contra essas infecções.

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