Cirurgião que revolucionou tratamento do câncer de mama

Cirurgião que revolucionou tratamento do câncer de mama morre aos 101 anos

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Até a década de 1970, uma mulher diagnosticada com câncer de mama, independentemente do tamanho, seria sempre submetida a uma mastectomia radical. Até que um médico obstinado conseguisse provar cientificamente que cirurgias menores e mais precisas poderiam ser igualmente eficazes.

A técnica da mastectomia radical foi desenvolvida no final do século XIX e persistiu como padrão de atendimento por mais de 75 anos. Ela consiste na remoção de toda a mama, músculos subjacentes do tórax, pele subjacente e remoção prolongada dos gânglios linfáticos da axila. Às vezes, as costelas subjacentes também eram removidas.

Esta cirurgia curou muitas mulheres, mas causou deficiências e desfiguração graves. Muitas pacientes sofreram com dor e limitação do movimento do braço devido à remoção muscular. Quando a pele era removida, grandes partes costumavam levar meses para cicatrizar. E devido à remoção radical dos gânglios linfáticos, todas as mulheres sofriam de linfedema pós-operatório – um braço inchado e dolorido devido à linfa congestionada.

Um cirurgião corajoso

Nesse percurso, surgiu um cirurgião corajoso: o Dr. Bernard Fisher, que morreu na semana passada, aos 101 anos. Foi necessário que ele desafiasse o sistema médico e provasse que a mastectomia radical era, em quase todos os casos, desnecessária. O Dr. Fisher mostrou que operações muito menos radicais eram igualmente eficazes.

Dr. Fisher foi desprezado

A teoria do Dr. Fisher de que uma cirurgia menor seria tão eficaz foi praticamente desprezada por toda a área médica. Poucos cirurgiões estavam dispostos a considerar mudar o que eles acreditavam ser a única maneira de curar a doença. O Dr. Fisher foi chamado de “assassino” por sugerir cirurgias menores.

Um estudo randomizado precoce

Obstinado e persistente, o Dr. Fisher foi capaz de iniciar um estudo clínico para testar sua teoria. Sua pesquisa foi um estudo clínico randomizado, um novo conceito na época. Ele recrutou 1.765 mulheres do Canadá e dos EUA com câncer de mama em estágio inicial e as dividiu aleatoriamente em 3 grupos. Um grupo recebeu a mastectomia radical tradicional; outro grupo realizou uma mastectomia simples (apenas retirada da mama); e o terceiro grupo passou por mastectomia simples seguida de radioterapia.

Resultados

Os resultados confirmaram a teoria do Dr. Fisher. As mulheres que se submeteram à cirurgia mais limitada sobreviveram tão bem quanto as mulheres que se submeteram à cirurgia radical, e sem a enorme deficiência e trauma.

Saudado como um herói

Em 1979, devido ao trabalho do Dr. Fisher, a mastectomia simples substituiu a mastectomia radical como o tratamento de escolha. Ele foi aclamado como herói pelas mesmas pessoas que o rejeitaram alguns anos antes, e chegou a ser indicado para o prêmio Nobel. Embora ele não tenha recebido o Nobel, recebeu o Prêmio de Pesquisa Médica Clínica Albert Lasker como a pessoa que “havia feito mais do que qualquer outro indivíduo para avançar no entendimento da biologia clínica do câncer de mama”.

Pesquisas posteriores

O Dr. Fisher e seu grupo de pesquisa também fizeram outra descoberta fantástica: que o tamoxifeno modulador de estrogênio pode prevenir recorrências do câncer de mama em muitas mulheres após a cirurgia. 

Quando ganhou o prêmio Lasker, o Dr. Fisher agradeceu às mulheres que participaram de sua pesquisa original: “Ao consentir em participar de nossos estudos clínicos, doaram-se de uma maneira nobre e altruísta para que as gerações futuras pudessem se beneficiar. Toda mulher deve a essas mulheres corajosas uma dívida perpétua de gratidão “.

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