pesquisas médicas parecem conflitar

Por que pesquisas médicas parecem conflitar com frequência

Geral,

Muitas vezes, quando uma nova pesquisa médica é publicada, a impressão que temos é que o que ela diz é o contrário do que se costumava falar sobre o assunto. Muitas vezes novas pesquisas surgem e contradizem estudos anteriores, deixando as pessoas confusas e frustradas.

Esse aparente conflito já surgiu em temas como gordura saturada, óleo de coco, ovos, café e manteiga, entre outros. Mas por que isso acontece?

Pesquisas médicas limitadas

A primeira questão é que muitos estudos de pesquisa recebem pouco financiamento e acabam conseguindo recrutar um número relativamente pequeno de participantes. Cada pessoa adicionada ao estudo acrescenta despesas e muitos estudos têm menos de 100 participantes. Isso significa que a pesquisa não tem muito “poder” e pode dar resultados distorcidos. Além disso, é possível que as pessoas recrutadas para esse novo estudo tenham características que deram resultados diferentes dos estudos anteriores sobre a mesma questão.

Estudos grandes ou “meta”

O modo como alguns pesquisadores lidam com pequenos estudos é fazer uma “meta-análise”. Isso significa que eles combinam os resultados de vários estudos menores para obter um resultado médio. Os poucos estudos que deram resultados estranhos ou inesperados ficam fora da média em uma meta-análise, e o resultado médio da maioria dos estudos menores dá um resultado consensual. (Muitos estudos que relatamos aqui neste blog são meta-análises).

A maioria é correlacional

Os estudos de pesquisa se dividem em dois grandes tipos: estudos controlados randomizados e aleatórios ou estudos correlacionais. O primeiro – controlado aleatoriamente – é muito melhor do que um estudo correlacional, mas leva muito mais tempo e é muito mais caro de ser realizado. Então, infelizmente, a maioria dos estudos é do tipo correlacional.

O estudo randomizado

Em um estudo randomizado (prospectivo) controlado, tipicamente metade dos participantes são aleatoriamente designados para receber um tratamento e a outra metade é submetida a um tratamento diferente. Então, no final do estudo, os pesquisadores veem quais tratamentos (ou dieta ou o que estiver sendo estudado) tiveram melhores resultados.

O melhor tipo de estudo controlado randomizado também é duplo-cego, ou seja, nem os pesquisadores nem os participantes sabem qual tratamento eles estão recebendo. Por exemplo, metade dos participantes recebe a medicação real, e a outra metade recebe um placebo, que se parece e tem gosto de medicação real. Durante o estudo, os próprios pesquisadores também não sabem quem está recebendo a medicação real, e o código só é revelado no final. Isso minimiza os preconceitos dos pesquisadores.

Viés dos pesquisadores

Os próprios pesquisadores podem ter uma inclinação ou desejam um resultado particular para o estudo, e isso pode influenciar o estudo. Uma pesquisa também pode ser patrocinada por uma empresa farmacêutica e, nesses casos, embora ela seja conduzida por pesquisadores de uma universidade, eles podem se sentir pressionados a obter os resultados que a empresa farmacêutica deseja.

Mídia ama notícias surpreendentes

A mídia tende a relatar estudos que mostram resultados surpreendentes e diferente de estudos anteriores sobre o assunto ou seja deseja fazer sensacionalismo. Resultados surpreendentes obtêm manchetes maiores, mais cliques e mais leitores. Pode ter havido muitos estudos que confirmaram a “sabedoria convencional”, mas não são destacados pela imprensa porque o esperado é mais chato e acaba não levando o leitor a mais cliques.

O que você pode fazer

Tente não olhar apenas para os resultados de um estudo. Se você estiver realmente interessado em um tópico, encontre outros estudos sobre o mesmo assunto. Acredite mais em estudos controlados randomizados do que em estudos correlacionais. Veja o número de participantes. Selecione estudos de meta-análise sobre pequenos estudos. Às vezes, você pode ser capaz de perceber também quem pagou pelo estudo.

Se as instituições e jornais médicos que divulgam o estudo têm melhor reputação, eles podem ser mais confiáveis. Aqui na ProcuraMed fazemos um esforço para escolher os melhores estudos para relatar, e se o estudo tiver limitações, tentamos dizer. Por fim, perceba que a ciência e a medicina estão em constante evolução, e o conhecimento divulgado acaba mudando com o tempo.

Para encontrar um médico em qualquer lugar do Brasil, vá até a ProcuraMed.com

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