pode ter curado brasileiro de HIV

Tratamento experimental pode ter curado brasileiro de HIV

Doenças,

Durante o período da pandemia da COVID-19, muitos outros problemas médicos importantes acabaram saindo de nossos radares. Um deles é o HIV/AIDS. Recentemente, um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apresentado na conferência anual AIDS 2020 (neste ano, virtual), descreveu um homem que pode ter sido curado com um novo tratamento.

O vírus HIV é conhecido há quase 40 anos, mas ainda não tem cura. Embora tenhamos bons tratamentos para manter a doença controlada, apenas dois pacientes – o “paciente de Berlim” e o “paciente de Londres” – foram comprovadamente curados até agora. Ambos tinham câncer (leucemia e linfoma) que exigiam transplantes de medula óssea. Com o transplante, os médicos foram capazes de fornecer a eles novos sistemas imunológicos, livres do vírus HIV.

Mas os transplantes de medula óssea são procedimentos difíceis e arriscados, e não uma maneira prática de curar o HIV. Muitos pesquisadores pensam que outra abordagem é necessária para a cura – envolvendo a descoberta do vírus HIV que se esconde em certos órgãos do corpo, resistente aos medicamentos atuais. A esperança é que, se esses vírus forem liberados no sistema dos pacientes, possam ser atacados com medicamentos anti-retrovirais e curar o paciente com HIV.

O estudo do HIV brasileiro

O estudo da Unifesp foi baseado nessa abordagem. O homem que pode ter sido curado (identificado apenas como o “paciente de São Paulo”) foi diagnosticado pela primeira vez como HIV positivo em 2012. Dois meses após o teste positivo, ele tomou um coquetel padrão de 3 drogas de medicamentos anti-retrovirais, e sua carga viral tornou-se indetectável. 

Pacientes indetectáveis, felizmente, são cada vez mais comuns, graças ao tratamento constante. Entretanto, há pacientes que, ao voltar a se sentir bem e ter bons exames de sangue, acabam interrompendo o uso do coquetel. Sem o uso diário, o vírus rapidamente se esconderá e entrará novamente nas correntes sanguíneas.

Para evitar isso, os pesquisadores da Unifesp recrutaram esse paciente (e quatro outros no estudo) para tomar mais 3 medicamentos durante um período de 48 semanas, e ver se eles poderiam liberar o vírus escondido e eliminá-lo completamente. Então, de 2016 a 2017, o paciente de São Paulo tomou seu coquetel regularmente junto com outros 3 medicamentos: dolutegravir, maraviroc e nicotinamida, que é um derivado da vitamina B3.

Depois de parar os medicamentos

Após as 48 semanas de uso dos 3 medicamentos adicionais, os 5 pacientes retornaram ao tratamento usual de coquetel. Então, em março de 2019, todos pararam completamente os medicamentos para ver o que aconteceria. Infelizmente, quatro dos pacientes rapidamente detectaram o retorno do vírus, enquanto um único homem, não. Desde então, ele tem feito exames de sangue a cada 3 semanas, há 66 semanas, e não possui vírus ou anticorpos virais detectáveis – ou seja, seu teste de rotina de anticorpos para o HIV tem resultado negativo.

O efeito é duradouro?

Os pesquisadores da Unifesp, assim como especialistas internacionais, dizem que é cedo para considerar esse paciente curado. Eles planejam realizar biópsias adicionais para verificar se o vírus ainda pode estar oculto em seus órgãos e gânglios linfáticos. Aparentemente, devido à crise do COVID-19, esses testes foram suspensos.

Muitos especialistas na conferência anual AIDS 2020 estavam céticos quanto à persistência dessa “cura”, e é notável que as outras quatro pessoas no estudo claramente não foram curadas. Mas é possível que este homem tivesse genes e um sistema imunológico que lhe permitisse ser curado. Vamos manter você informado aqui no blog sobre como esse caso prossegue, e esperamos que daqui a um ano, ele ainda esteja livre de vírus!

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