Varizes nos membros inferiores: causas, sintomas e tratamentos

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As varizes são veias que se alteraram ao longo do tempo e acabam sendo desenvolvidas por pessoas em diferentes idades e situações. Para falar mais sobre elas, convidamos o especialista vascular Dr. Rodrigo Bono Fukushima. Confira e saiba mais sobre as causas, os sintomas e os tratamentos para este problema.

Varizes dos membros inferiores são veias que se tornam dilatadas, tortuosas, visíveis e palpáveis ao longo do tempo. As varizes acometem aproximadamente 40% da população, sendo mais prevalente nas mulheres – para cada homem com varizes, estima-se que existam 4 mulheres com a doença.

A principal causa para as varizes dos membros inferiores é genética, ou seja, a pessoa apresenta tendência herdada de familiares. Alguns fatores ambientais e hábitos do dia a dia podem acelerar ou até mesmo iniciar o aparecimento de varizes nos membros inferiores.

As principais causas são:

—Predisposição genética / histórico familiar

—Excesso de peso

—Uso rotineiro de calçados inadequados

—Sedentarismo

—Manter-se longos períodos sentado ou em pé sem se movimentar

—Uso de hormônios (anticoncepcionais e reposição hormonal para menopausa)

—Gestação

Principais sintomas

A doença apresenta caráter evolutivo, piorando com o passar dos anos, caso não seja realizado nenhum tratamento. Inicialmente, o paciente se apresenta com varizes discretas, muitas vezes quase imperceptíveis e sem sintomas. Com o passar do tempo, estas veias se dilatam, passam a se apresentar cada vez mais calibrosas e aparentes e alguns sintomas podem surgir. Os sintomas mais comuns são:

—Peso e cansaço nas pernas

—Dor nas pernas

—Coceira (prurido) nas pernas

—Câimbras

—Sensação constante de cansaço nas pernas

—Formigamento nas pernas e nos pés

—Inchaço (edema) predominantemente no final do dia

—Perda de pelos nos membros inferiores

—Escurecimento dos membros inferiores

—Aparecimento de feridas nos membros inferiores

Complicações causadas por varizes nas pernas

Em estágios mais avançados de varizes, a pele começa a ficar mais fina e brilhante. Algumas manchas escuras, também conhecidas como dermatite ocre, começam a aparecer. Com o tempo, estas manchas aumentam de extensão, podendo acometer todo o tornozelo e pés.

Esta pele mais fina é extremamente frágil, e pequenos traumas ou simplesmente coçar a perna mais vigorosamente podem causar feridas. Como a pressão venosa é aumentada com as varizes, o processo de cicatrização é muito prejudicado e estas pequenas feridas podem evoluir para úlceras extensas, profundas e dolorosas.

Quando deixadas sem tratamento por longo tempo, as varizes dos membros inferiores podem causar edema constante das pernas, manchas escurecidas no tornozelo, também conhecida como “dermatite ocre” e feridas de difícil cicatrização, chamadas de úlceras varicosas.

Eventualmente as varizes podem sangrar, seja espontaneamente ou por conta de pequenos traumas locais, já que, com o tempo, a pele sobre estes vasos calibrosos se torna fina e frágil. Outras complicações são as tromboflebites superficiais e as tromboses venosas profundas, que é a formação de coágulo dentro da luz do vaso.

Tratamentos

São vários os tratamentos para as varizes dos membros inferiores, que dependem do grau das varizes e dos sintomas apresentados pelos pacientes.

O tratamento clínico é realizado com o uso de terapia de compressão (meias elásticas) e prática regular de atividade física, com fortalecimento da musculatura da perna. Também são recomendados hábitos alimentares saudáveis e controle do peso.

Para os pacientes que apresentam micro-varizes e telangiectasias (“vasinhos”), o tratamento pode ser realizado com escleroterapia.  O objetivo é causar uma lesão na veia, levando a sua reabsorção pelo organismo. Com isto forma-se uma pequena fibrose e ocorre o desaparecimento da veia, com melhora do aspecto estético. É um tratamento realizado em consultório, sem a necessidade de cirurgia ou internação hospitalar.  Ao logo dos anos, diferentes técnicas e medicamentos foram desenvolvidos com este objetivo.

Diferentes técnicas de esclerotearpia

Escleroterapia com glicose hipertônica

Está entre as técnicas mais conhecidas e realizadas no Brasil. Consiste na injeção de glicose dentro dos vasos a serem tratados; causando lesão em sua parede interna e inflamação local. Como resultado, a veia é reabsorvida pelo organismo e deixa de ser visível. A técnica é adequada para o tratamento de telangiectasias (“vasinhos”), porém não apresenta resultados satisfatórios para veias reticulares (“veias nutrícias” ou “veias mãe”) e para pequenas varizes.

Escleroterapia à laser (CLaCS – Cryo-Laser and Cryo-Sclerotherapy)

Esta técnica consiste na aplicação de laser transdérmico e de glicose 75%, ambos guiados por realidade aumentada, na mesma sessão. Durante todo o procedimento é realizado o resfriamento da pele a -32ºC. O procedimento é realizado com auxílio de um aparelho de realidade aumentada, que amplia a visualização dos vasos e permite mais precisão no tratamento. A associação destas duas técnicas potencializa seus efeitos, possibilitando o tratamento de veias mais calibrosas, com resultados mais rápidos e mais duradouros.

Escleroterapia com espuma

Consiste na injeção de uma espuma de ar com medicamento (polidocanol) nos vasos a serem tratados.

Tratamento cirúrgico

Para os pacientes com varizes calibrosas e doença avançada, o tratamento cirúrgico se impõe. O tratamento cirúrgico das varizes dos membros inferiores tem evoluído ao longo dos anos. Atualmente o procedimento é realizado com técnicas minimamente invasivas, tornando-o mais seguro e com recuperação mais rápida.

Sobre o autor

Dr. Rodrigo Bono Fukushima

Dr. Rodrigo Bono Fukushima atua em Higienópolis, em São Paulo (SP). É médico formado pela Faculdade de Medicina da USP; certificado pela Associação Médica Brasileira e várias sociedades de especialidade em Cirurgia Vascular e Endovascular, Angiorradiologia e Ecografia com Vascular.

 

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