religião, espiritualidade e saúde

A ligação entre religião, espiritualidade e saúde

Comportamento,

No meio da pandemia, pessoas de todo o mundo, e de diferentes crenças, têm buscado na fé algum conforto e respostas para a situação. Como esta tragédia pode estar acontecendo? A oração pode nos ajudar a superar isso? Hoje, examinamos alguns aspectos de como a religião e a espiritualidade podem influenciar a saúde física e mental.

Religião X Espiritualidade

A palavra religião é derivada do latim religare, que significa “unir-se”. A religião pode ser descrita como uma maneira pela qual as experiências espirituais coletivas de um grupo de pessoas são organizadas em um sistema de crenças e práticas.

A espiritualidade é derivada do latim spiritualitas, que significa “respiração”. É um conceito mais amplo e tende a ser mais pessoal do que uma prática organizada. Geralmente envolve a busca de uma pessoa por sentido na própria vida e a crença de que há algo além de nossa existência material. Pode haver um sentimento de conexão com outras pessoas, a natureza ou o divino, juntamente com uma crença em valores como amor e compaixão. Espiritualidade e religião muitas vezes podem se sobrepor.

Pessoas religiosas e espiritualizadas têm melhor saúde física?

Centenas de estudos bem elaborados foram realizados nas últimas décadas sobre a associação entre religião, espiritualidade e saúde, tanto física quanto mental. A maioria desses estudos concluiu que as pessoas que frequentam atividades religiosas e/ou se envolvem em práticas espirituais realmente desfrutam de uma saúde mental e física significativamente melhorada.

Por exemplo, no Estudo Observacional da Iniciativa de Saúde da Mulher, 92.395 mulheres foram acompanhadas por uma média de 7,7 anos. Os resultados mostraram que mulheres acima de 50 anos tinham 20% menos probabilidade de morrer em um determinado ano quando compareciam a atividades religiosas semanais. Quando a frequência passava a ser ao menos semanal, essa probabilidade era 15% menor. A análise também considerou outros fatores, como idade, etnia e nível de renda.

Muitos outros estudos, realizados com menos rigor, mostraram uma variação entre 24% e 28% de menor risco de morrer durante o estudo para pessoas que se auto-declaravam religiosas ou espiritualizadas. Os pesquisadores frequentemente observaram que esses indivíduos também eram mais propensos a não fumar, a evitar excessos de álcool e a ter melhor alimentação, além de se exercitar mais e usar cintos de segurança com mais fidelidade.

Reflexos na saúde mental

A maioria dos estudos sobre resultados em saúde mental mostrou melhorias semelhantes para pessoas religiosas ou espiritualizadas. A taxa de depressão e ansiedade é significativamente menor nesses grupos, assim como o risco de suicídio. Há uma taxa mais baixa de abuso de substâncias e, para os que estão em programas de recuperação (como os Alcoólicos Anônimos), há uma taxa de sucesso mais alta entre aqueles que afirmar ser religiosos ou espiritualizados.

Parte do efeito positivo pode ser que as pessoas que frequentavam atividades religiosas têm uma melhor rede de apoio social do que as pessoas que não estão ligadas à religião. Além disso, as pessoas religiosas ou espiritualizadas acabam manifestando idealmente níveis mais altos de gratidão, amor e perdão – todos associados a uma melhor saúde mental.

Efeitos negativos potenciais

No atual ambiente de quarentena, os dados mostram que a congregação em igrejas (ou outros eventos de grupos não religiosos) alimenta a disseminação do novo coronavírus. Na Coréia do Sul, o início da epidemia estava diretamente ligado somente a uma igreja popular. Outro surto, na Malásia, estava ligado a uma reunião de 16.000 fiéis, e em New Rochelle, Nova York, a uma congregação judaica ortodoxa. Felizmente, muitas igrejas suspenderam temporariamente as atividades presenciais e estão transmitindo cultos online.

Outro risco é que algumas linhas religiosas e espirituais tentam impor uma teologia rígida a seus seguidores, infligindo culpa e vergonha desnecessárias. Por exemplo, são conhecidas as tentativas vergonhosas e fúteis de mudar a orientação sexual de homossexuais, e a ligação direta desses afeitos a um risco maior de abuso de substâncias, depressão e suicídio. E embora não tão divulgados, também há casos de abusos físicos ou sexuais de menores sob o disfarce de religião.

No balanço geral, religião e espiritualidade são benéficas à saúde?

Embora existam riscos possíveis, especialmente com práticas rígidas ou intolerantes ou quando crenças são impostas a outras pessoas, ser religioso ou espiritualizado demonstra trazer benefícios substanciais para a saúde física e mental. A estimativa é que as pessoas com essas práticas vivam 2 ou 3 anos a mais.

Se, durante esses tempos difíceis, você se sentir fortalecido nessa direção, aproveite. Desde que você não se reúna em grupos (até que seja realmente seguro), estará se beneficiando e apoiando uma comunidade (virtual), e provavelmente aumentando sua saúde física e mental também.

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