Steve Jobs cancer

Steve Jobs e o futuro da terapia contra o câncer

Você deve se lembrar que Steve Jobs, fundador da Apple Computer, morreu, em outubro de 2011, de câncer no pâncreas. Mas, provavelmente, você não saiba como ele e seus médicos lutaram contra seu câncer, usando técnicas futuristas de genética. Neste ano, porém, a pesquisa genética avançou a tal ponto que estas técnicas estão começando a se tornar disponíveis para pessoas comuns, isto é, que não são CEOs (diretores executivos) de grandes corporações.

steve jobs

O que está sendo saudado como um marco do trabalho de pesquisa foi  publicado na revista Nature, em 23 de setembro, e reuniu 348 pesquisadores, que apresentaram conclusões sobre o código genético do câncer de mama. No entanto, os procedimentos genéticos têm implicações para um eventual tratamento de todos os tipos de câncer.

Para saber como deverá ser a terapia contra o câncer em um futuro relativamente próximo, vamos olhar para o caso do sr. Jobs. Ele tinha um tipo raro – e de difícil tratamento – de câncer de pâncreas, o qual, na verdade, poderia ter sido curado quando foi encontrado ainda pequeno. Mas, por cerca de nove meses, Jobs evitou os conselhos de seus médicos a respeito do tratamento. Ao contrário, buscou formas de tratamentos alternativos: “sucos de frutas, acupuntura, remédios de ervas…. alguns dos quais encontrou na Internet”.

Não foi surpresa que os tratamentos alternativos não funcionaram. O tumor cresceu e, depois de nove meses, concordou com a cirurgia recomendada. Mais tarde, quando o tumor se espalhou para o fígado, Jobs foi submetido a um transplante.

O que tornou seu caso emblemático foi que, durante os vários anos de quimioterapia, que acompanharam as cirurgias, os médicos escolheram as drogas da quimio com base em uma elaborada e cara (US$ 100.000) análise genética do sequenciamento da estrutura de suas células normais, bem como das células tumorais. Na época, apenas 20 pessoas no mundo tinham sido submetidas a este tipo de exame genético de câncer.

Os médicos compararam os genes das células normais com os das células de cancro, e encontraram mutações celulares tumorais que alimentavam o crescimento do tumor. Acredita-se que os cancros crescem quando existe um defeito (mutação) em um ou mais genes em seu interior. Normalmente, a função de alguns dos nossos materiais genéticos é inibir o crescimento de células cancerígenas em potencial.

Baseados nas mutações encontradas, os médicos poderiam combinar melhor a droga da quimioterapia conhecida para atacar esse defeito genético específico. Uma das razões pela qual alguns cancros são de difícil cura deve-se aos genes anormais sofrerem mutações contínuas ao longo do tempo. Em certo sentido, o tumor tenta escapar da morte pelas drogas da quimioterapia. Assim, Jobs teve esse sequenciamento analisado várias vezes e, toda vez, os médicos ajustaram seus agentes quimioterápicos para as mutações encontrada.

No caso de Steve Jobs, em última análise, a doença venceu e ele morreu de câncer metastático no pâncreas. Isso, no entanto, não significa que o sequenciamento genético do câncer não é eficaz. Ele, provavelmente, viveu muito mais do que poderia sem os estudos genéticos – e o câncer de pâncreas é um dos piores tipos de neoplasia.

Agora, voltemos ao recente estudo do câncer de mama, publicado pela Nature. Os investigadores estudaram 825 mulheres com câncer da mesma maneira como no caso de Steve. Eles descobriram que os tumores da mama podem ser categorizados em um dos quatro tipos genéticos, com base nas mutações do tumor encontrado. Então, em algum momento da próxima década, os médicos poderão escolher o melhor medicamento que combata o tipo específico de tumor da mulher.

A quimioterapia tradicional é mais uma “abordagem de massa”, usando drogas padrão baseadas no que o tumor parece sob o microscópio. Mas, no futuro, os médicos serão capazes de disparar “balas de prata” ao selecionarem melhor os medicamentos: mais eficazes e com menos efeitos colaterais.

Vai levar mais alguns anos de pesquisa antes dessa técnica específica para cada paciente ser de uso comum. No entanto, uma conclusão, a partir do estudo, possivelmente será aplicada mais cedo. Um dos tumores de mama mais difíceis de tratar atualmente (o “triplo negativo”), na verdade, é geneticamente mais parecido com o câncer de ovário. Assim, talvez, os medicamentos de combate o câncer de ovário funcionem melhor do que os tradicionais usados contra o tumor “triplo negativo”.

O sequenciamento do tumor é uma fascinante e esperançosa pesquisa em andamento. Aqui, no Mais Saúde, apresentaremos mais informações tão logo forem publicadas.

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