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O território inexplorado dos aplicativos médicos para celulares

Este ano, cerca de 250 milhões de pessoas vão baixar pelo menos um aplicativo relacionado à saúde em seus dispositivos móveis (app) para iOS ou Android. Um novo relatório, divulgado pelo New England Center for Investigative Reporting (NYCIR) – Centro de Jornalismo Investigativo da Nova Inglaterra -, afirma que muitos desses aplicativos, especialmente os que prometem tratar ou curar uma doença ou condição médica, são inúteis e, em alguns casos, perigosos.

Cerca de cem anos atrás, problemas semelhantes ocorreram com medicamentos, como o sem escrúpulos “óleo de serpente” (inútil),  que eram comumente vendidos sem qualquer regulação governamental. Depois disso, foram criadas as agências federais reguladoras (como a Food and Drug Administration, nos EUA, em 1906) para impor fiscalização e responsabilização sobre o mercado.

A Anvisa, o equivalente brasileiro do FDA, só foi criada na década de 1990, mas, agora, controla rigorosamente qualquer novo medicamento ou dispositivo lançado no país e faz a verificação de segurança e eficácia. Contudo, para aplicativos móveis, como você pode imaginar, não há regulamentação.

Com base no relatório do NYCIR, aqui estão alguns pontos que podem guiá-lo no mundo dos apps médicos:

1) Se um aplicativo alega curar qualquer estado doentio ou enfermidade, cuidado: é muito provável que não funcione ou piore seu caso.

Aqui estão alguns exemplos de aplicativos ruins. Eles usam tons e sons a partir do celular, luz do telefone móvel ou a função de vibração do celular para funcionar. Mas não funcionam.

          AcneApp (também Acne Pwner): Diz para manter a luz do celular voltada para as áreas problemáticas de sua pele. De acordo com o material de marketing, você só precisa “descansar o iPhone contra sua pele em áreas propensas à acne por dois minutos diários para melhorar a saúde da pele, sem uso medicamentos”. Inútil.

          Cardiac Stress Test (Teste de Estresse Cardíaco): Este app informa que você pode medir sua frequência cardíaca depois de fazer 30 agachamentos em um minuto. O aplicativo calcula “se você está pronto para fazer esportes ou se o seu coração não está saudável”. Para saber se você está apto para a prática de exercícios é mais complicado do que isso e o “teste de estresse cardíaco” pode convencer uma pessoa em más condições de saúde de que o seu coração está bom. Este é um aplicativo perigoso.

          AG Method: Supostamente, serve  para aliviar a dor. Você é convidado a colocar o alto-falante do celular “em sua área de dor máxima”, uma vez que o dispositivo libera um tom e uma mensagem de “Cura em Andamento” pisca na tela do seu celular. Isso não faz sentido médica ou cientificamente.

          uBaby (e aplicativos similares): Produzido na Ucrânia e vendido a US$ 29,99 na loja do iTunes. Afirma que você pode determinar o sexo de seu bebê por meio da inserção de vários dados, incluindo aniversários dos avós, a data de concepção e assim por diante. Impreciso e inútil.

2) Existem alguns aplicativos melhores avaliados dirigidas para o consumidor, tais como:

          Azumio (gratuito): acompanha o seu ritmo cardíaco;

          Lose it (gratuito): para ajudá-lo a manter o controle de calorias em sua dieta;

          iTriage (gratuito): para ajudá-lo a avaliar sintomas de possíveis doenças.

Ainda que pouco comum, é sempre recomendável conferir aplicativos desenvolvidos por um hospital respeitável ou  uma escola de medicina.

3) Existem vários bons sites que avaliam aplicativos médicos como os abaixos:

www.imedicalapps.com

www.happtique.com

Mas, no momento, o mundo do aplicativo médico é ainda, em grande parte, um território inexplorado. Até existem agências governamentais ou órgãos imparciais que revisam ou regulam os apps, porém, a melhor regra é: compre com cuidado.

Se você precisar encontrar um médico em qualquer lugar do Brasil, use o nosso site principal: www.procuramed.com.

O território inexplorado dos aplicativos médicos para celulares was last modified: novembro 19th, 2012 by

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