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“Medicina excessiva” pode fazer mal ao paciente

Aqui, no blog Mais Saúde, fazemos o melhor para mantê-lo informado sobre as últimas tendências da medicina, incluindo o que está ocorrendo na América do Norte e Europa. Um dos temas mais discutidos no momento é como a medicina “excessiva”  pode resultar em risco desnecessário para o paciente.

Em 31 de julho, o Dr. Sanjay Gupta, correspondente médico chefe da CNN, publicou um artigo, no New York Times, intitulado “Mais Tratamento, Mais Erros”. Enquanto o Dr. Gupta analisava a “medicina excessiva” nos Estados Unidos,  talvez o mesmo problema esteja ocorrendo aqui no Brasil.

No artigo, o Dr. Gupta menciona um relatório emitido em 1999 pelo respeitado Instituto de Medicina Americano, o qual estimou, surpreendentemente, que 98 mil pessoas estavam morrendo a cada ano, nos Estados Unidos, em decorrência de erros médicos, incluindo os de prescrição de medicamentos. O Instituto não emitiu nenhum outro estudo depois de 1999, mas o Dr. Gupta afirma que uma “estimativa razoável” atual é de 200 mil mortes por ano, tornando-se uma das principais causas dos óbitos entre os americanos.

Como isso pode ser? O número de mortes por erros médicos dobrou nos últimos 12 anos? O médico ressalta que, desde 1996, a porcentagem de visitas ao médico, que resultaram em pelo menos cinco medicamentos prescritos, mais do que triplicou, e o número de exames de ressonância magnética aumentou em quatro vezes. Alguém poderia pensar que, com todo esse cuidado adicional e testes precisos, a taxa de mortalidade por erro médico deveria ter caído ao invés de aumentar.

A explicação reside no fato de que, em muitos casos, mais testes, tratamentos e medicamentos levam a mais erros, a mais efeitos colaterais, complicações e mortes. Por exemplo, quando um exame de ressonância magnética é estudado, o scanner é tão bom em encontrar “anomalias” ou qualquer coisa fora do comum que, normalmente, quando isso ocorre, o próximo passo é investigar: o que é aquela mancha no exame? É um nódulo, talvez, um câncer?

Tal situação leva a mais exames, muitas vezes, a procedimentos invasivos, incluindo biópsia cirúrgica para descobrir do que se trata a suposta “anormalidade” verificada no laudo da ressonância (ironicamente, a alteração suspeita aparece, em diversos casos, em uma área diferente daquela especificada para a varredura). Assim, uma cirurgia pode ser realizada e, cada vez que uma pessoa é cortada ou recebe anestesia, ou vai para um hospital ou centro cirúrgico, há riscos envolvidos, com chances de complicações.

Muitos médicos americanos praticam a chamada “medicina defensiva”, ou seja, solicitam exames ou procedimentos para investigar alguma coisa, para não perderem de vista nenhuma suspeita (e, assim, evitar processos judiciais). Em contrapartida, porém, aumentam os riscos do paciente pelo excesso de zelo (pois, geralmente, não encontram nada grave).

É um tema polêmico e controverso nos EUA, tanto por causa das complicações que podem ser evitadas e por prejudicar o estado de pessoas saudáveis. Como pelo fato de o  sistema de saúde americano ser o mais caro do mundo e existirem muitas preocupação com gastos desnecessários.

E o que você pode fazer quanto a isso? Quando um médico lhe pedir para fazer um scan, um procedimento, biópsia ou tomar um novo medicamento, você pode perguntar  a ele “quais são os possíveis riscos ou efeitos colaterais” e “se existem outras opções mais seguras”. Particularmente, para um procedimento invasivo, questione sobre o risco de “apenas observar o problema em potencial e verificar se há mudanças no quadro”.

Cuidados médicos adequados podem requerer muita atenção de sua parte, mas é importante estar bem informado para ser um paciente consciente e realmente buscar o melhor para sua saúde, e não o contrário.

Teremos posts sobre este assunto aqui no Mais Saúde!

por David Harsany

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“Medicina excessiva” pode fazer mal ao paciente was last modified: agosto 11th, 2012 by

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