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Descoberta Nova Classe de Compostos Contra a Malária

Uma equipe internacional liderada por cientistas do Genomics Institute of the Novartis Research Foundation e do The Scripps Research Institute, descobriu uma família de compostos químicos que poderiam levar a uma nova geração de medicamentos antimaláricos capaz de não só aliviar os sintomas, mas também prevenir a doença.

Descoberta nova classe de compostos contra a Malária

O estudo, publicado ontem, na Science Express, a publicação on-line antes da revista Science, demonstrou que a classe de compostos foi mais eficaz contra a malária do que algumas drogas disponíveis comercialmente.

A maioria dos medicamentos antimaláricos são eficazes apenas na fase de sangue, e aqueles que atuam no fígado têm efeitos colaterais notáveis. No entanto, a nova classe de compostos identificados pela equipe é altamente eficaz contra o parasita, tanto no sangue como no fígado.

Um Ciclo de Vida Complicado

Apesar do longo esforço aplicado para controlar a malária no mundo, a doença ainda é endêmica em muitas partes do mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a malária afetou cerca de 225 milhões de pessoas em 2009, e matou cerca de 800.000. A doença, que tende a atacar as populações mais pobres e vulneráveis na Ásia, África e Américas, estando o aumento da incidência de casos relacionado diretamente com crescimento do desmatamento nestas áreas. A malária é causada pelo parasita do gênero Plasmodium, sendo transmitida através da picada de mosquitos (vetor), gênero Anopheles, infectados.

O Plasmodium tem um ciclo de vida complicado, tendo dois hospedeiros – mosquitos e seres humanos (ou outros vertebrados). Quando um mosquito infectado de malária se alimenta de uma pessoa, o parasita entra no corpo humano. Dentro de 30 minutos, o parasita infecta as células do fígado, onde se desenvolve por cerca de oito dias, sem causar sintomas perceptíveis. Em alguns casos, pode até se esconder no fígado e persistir por vários meses a anos.

Quando este período terminar, no entanto, o parasita (agora de uma forma diferente) deixa o fígado e entra nas células vermelhas do sangue, onde ele cresce e se multiplica. Quando os glóbulos vermelhos infectados arrebentam, em virtude da multiplicação, as toxinas do parasita Plasmodium são liberadas na corrente sangüínea, e a pessoa se sente doente. Os sintomas incluem febre, calafrios, dor de cabeça e outros sintomas semelhantes aos da gripe, em casos graves, os pacientes podem experimentar convulsões, coma e insuficiência hepática e renal, que pode ser fatal. Se um mosquito pica a pessoa infectada neste momento, o parasita entra no mosquito, onde continuará o ciclo de amadurecimento em um formulário que pode infectar o próximo hospedeiro humano.

Prospecção dos Dados

Para encontrar compostos capazes de atuar contra o parasita em mais de um estágio de seu ciclo de vida, a equipe de triou milhares de compostos que já eram conhecidos a agir contra os parasitas da malária no sangue. Apenas 15 % destes compostos pareciam que também poderiam atuar no fígado. O grupo então novamente fez uma triagem e identificou que os da família das imidazolopiperazina estavam ativos nas etapas de sangue e fígado. Esta família de compostos, foi especialmente atraente porque está relacionada quimicamente com os  medicamentos anti-maláricos já existentes.

O grupo utilizou um sistema automatizado para ver como esses novos compostos agiriam contra os parasitas da malária incubados em células de fígado em laboratório. Um aparelho de imagem levou várias imagens de cada conjunto de células ao longo do tempo, e um computador analisou as imagens para ver quão bem os vários compostos inibiram o crescimento dos parasitas.

No final, a equipe foi capaz de desenvolver compostos que poderiam ser tomados por via oral e iriam ficar no sangue o tempo suficiente para ser um candidato viável para o desenvolvimento de drogas. Quando foi dado aos ratos, o composto forneceu uma proteção completa contra o parasita no fígado, e funcionou melhor no sangue do que algumas drogas disponíveis comercialmente.

Entendendo o Medicamento

Para entender melhor como funciona o composto, a equipe expos sucessivas gerações de mosquitos infectados a baixos níveis do composto para a produção de cepas resistentes contra os parasitas. Eles, então, sequenciaram o genoma dos parasitas para analisar mutações genéticas. Para cada cepa resistente procurou-se possíveis mutações no gene, objetivando que os medicamento seja o mais específico possível, diminuindo efeito coloterais, e aumentando a eficácia. Este tipo de estudo denomina-se Farmacogenônica, uma área em grande expansão dentro das pesquisas científicas.

A pesquisa foi patrocinada pelo: Wellcome Trust, the Medicines for Malaria Venture, the Genomics Institute of the Novartis Research Foundation, the Swiss Tropical and Public Health Institute, e the Novartis Institute for Tropical Diseases.