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Como alguns eletrônicos podem alterar o comportamento infantil

Algumas questões de saúde têm caracterizado os tempos atuais, de alta tecnologia ao alcance de todos. Entre os que mais se destacam estão as de impacto direto sobre crianças e adolescentes. Estudos recentes apontam que a substituição da interação entre pessoas e o meio ambiente por interação com dispositivos eletrônicos durante a infância pode levar a mudanças estruturais significativas no cérebro.

Na China, o uso excessivo de dispositivos eletrônicos, em especial por crianças e adolescentes, tem se tornado um problema grave – tanto que levou o governo chinês a criar “centros de reabilitação” para ajudar esses dependentes tecnológicos a controlarem os vícios. O assunto, embora mais grave na Ásia, não passa em branco por outros lugares do mundo.

Relatório publicado em 2013 pela Academia Americana de Pediatria apontou que, em média, crianças de 8 a 10 anos passam 8 horas por dia em frente de dispositivos eletrônicos (incluindo televisão, tablet, smartphones e videogames). Entre os adolescentes, a média sobe para 11 horas. Apesar de os pesquisadores não terem observado crianças com menos de 2 anos de idade, é provável que, entre elas, esse dano seja ainda maior.

A presença cada vez mais intensa dos dispositivos eletrônicos se dá, em grande parte, pela praticidade. Muitos pais descobriram que um smartphone ou um tablet pode ocupar a atenção da criança por muito tempo, deixando-os livres para atividades paralelas. O problema está no fato de que o cérebro das crianças está se desenvolvendo mais rapidamente, e não sabemos quais os efeitos de longo prazo dessa troca da interação com o ambiente e com pessoas pela interação com dispositivos de realidade virtual.

Estudos realizados ao longo dos últimos quatro anos fizeram uma varredura no cérebro de crianças chinesas viciadas em tecnologia – as conclusões estão disponíveis neste link. O estudo apontou alterações estruturais em várias partes do cérebro, mas a mais afetada foi o lobo frontal, responsável pelo controle de impulsos e por tomadas de decisão.

“Estamos empurrando telas para nossas crianças durante o dia todo, dando a elas distrações em vez de ensiná-las a se acalmarem sozinhas”, aponta a psicóloga de Harvard Dr. Catherine Steiner-Adair. Para ela, a interação com o que está ao redor, incluindo outras pessoas, é fundamental para a criança e não pode ser substituída.

“As crianças precisam de tempo para sonhar, para lidar com as ansiedades, processar seus pensamentos e compartilhá-los com os pais, que são quem podem reforçá-las”, conclui Dr. Steiner-Adair.

Outra preocupação que envolve os dispositivos eletrônicos está na violência. Estudo publicado no Jornal da Juventude e da Adolescência mostra que crianças que jogam muitos jogos violentos se tornam mais propensas a terem problemas na escola, a discutir e a brigar com colegas e professores.

Embora ainda seja bastante questionada, a pesquisa sugere que, depois de muita exposição à violência, as crianças e os adolescentes se tornam imunes a ela e mais propensas a desenvolver comportamento violento. Também sugere que elas possam crescer com menos empatia, menos capacidade de se colocar no lugar do outro e de entender que pessoas diferentes podem ter diferentes pontos de vista.

E qual seria a solução?

Não há nenhuma solução rápida para este problema, mas existem medidas que pais e avós podem tomar para ajudar. Este será o assunto do nosso próximo post.

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