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Células-Tronco Revertem Danos no Coração

Nesta segunda-feira dois grupos de pesquisa, ambos dos EUA, anunciaram que terapias com células-tronco foram capazes de reverter danos ao coração, sem efeitos secundários perigosos, pelo menos em um pequeno grupo de pacientes. Os pacientes receberam uma infusão de células-tronco, cultivadas a partir de tecido do próprio coração.

Células-tronco revertem danos do coração

No primeiro estudo, liderado pelo Dr. Robert Bolli, e publicado no The Lancet Journal, 16 pacientes com insuficiência cardíaca grave receberam um lote purificado de células-tronco cardíacas. Dentro de um ano, a função cardíaca dos pacientes aumentou de forma acentuada.

Para mensurar tal melhora, utilizou-se a “Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo (FEVE),” que é a medida da quantidade de sangue que o coração bombeia em cada contração, desta maneira é possível uma avaliação da capacidade de bombeamento do coração. Um paciente que apresente uma FEVE inferior a 40% é considerado possuidor de grave insuficiência cardíaca.

Quando o estudo começou, os pacientes de Bolli, que é diretor de cardiologia do Jewish Hospital da University of Louisville, tinham uma FEVE média de 30,3%. Quatro meses depois de receberem células-tronco, a FEVE média foi para 38,5%. Entre os sete pacientes que foram seguidos por um ano inteiro, melhoram para, surpreendentes, 42,5%. Para um grupo controle de sete pacientes, a qual só foi dado os medicamentos de manutenção padrão, não apresentaram melhoria.

“Ficamos surpresos com a magnitude de melhoria”, diz Bolli, que complementa dizendo que terapias tradicionais, como a colocação de um stent para ampliar fisicamente a artéria do paciente, normalmente fazem uma pequena diferença. O Dr. Bolli citou o exemplo de Mike Jones que antes do tratamento, não conseguia caminhar até o banheiro sem parar para respirar, e que agora ele pode dirigir um trator em sua fazenda, e até jogar basquete com seus netos. Sua vida foi transformada, avalia o Dr. Bolli.

No segundo estudo, desta vez coordenado pelo Dr. Eduardo Marban, diretor do Cedars-Sinai Heart Institute, 17 pacientes receberam células-tronco por cerca de seis semanas depois de terem sofrido um ataque cardíaco de intensidade moderada a grave. Todos tinham perdido tecido suficiente para colocá-los no grupo “de grande risco” de insuficiência cardíaca futura. Os resultados foram impressionantes. Além do tecido cicatrizado ter encolhido nos indivíduos entre 30% e 47%, os pacientes ainda geraram novo tecido cardíaco. Em média, aqueles que receberam células-tronco, tiveram o crescimento equivalente a 600 milhões de novas células cardíacas, de acordo com Marban, que usou imagens de ressonância magnética para medir alterações. Por meio de perspectiva, um ataque cardíaco pode matar um bilhão de células.

“Isso é sem precedentes, esta é a primeira vez que alguém consegue o crescimento de músculo cardíaco vivo”, disse Marban. “Ninguém demonstrou isto antes. É muito gratificante, especialmente quando o ensino convencional tem sido que o dano é irreversível. ” Talvez ainda mais importante, é que nenhum paciente tratado nos estudos sofreu um revés significativo para a saúde.

As descobertas dos estudo são um impulso para a noção de que o coração contém as sementes de seu próprio renascimento. Durante anos, os cientistas acreditavam que as células do coração, uma vez destruídas, se iriam para sempre. A duplicação dos resultados em estudos com um maior número de pacientes, acompanhados por um período maior de tempo, são necessários para que futuramente a terapia de células-tronco possa ser utilizada como tratamento padrão na recuperação do coração.

A prática de hábitos saudáveis (por ex. alimentação e execícios físicos), somado com a evolução das tecnologias e técnicas utilizadas na medicina, somente possíveis através de pesquisas de base e aplicada, vem proporcionando inegáveis avanços na qualidade de vida dos pacientes.

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