Truvada AIDS

Um comprimido diário pode prevenir a AIDS?

Na última semana, circulou pela imprensa brasileira a notícia de que o Ministério de Saúde iria distribuir gratuitamente um medicamento na tentativa de eliminar o risco de contágio por HIV. O remédio Truvada entraria na lista de medicamentos distribuídos pelo SUS até 2016, o que faria do Brasil o primeiro país a incluí-lo no sistema público de saúde. Mas será que essa notícia é realmente motivo para comemoração?

O medicamento poderá ser disponibilizado a pessoas com alto risco de contrair a doença. Com apenas um comprimido por dia, as chances de contaminação por AIDS poderiam ser reduzidas significativamente. A droga já foi aprovada pela Anvisa, mas ainda não é comercializada no país. Porém, a polêmica que surge é a de que a disponibilização gratuita poderia incentivar práticas de risco, como compartilhamento de seringas e sexo sem preservativo.

O Truvada é uma combinação de dois medicamentos anti-HIV – tenofir e emtricitabina. Ambos funcionam como bloqueadores no organismo, que fazem com que a droga se mostre eficaz tanto na prevenção quanto no tratamento da doença.

Droga polêmica

A polêmica que hoje existe no Brasil já existiu nos EUA, quando o país aprovou o uso diário do medicamento. A aprovação aconteceu em 2012 para casos específicos: indivíduos HIV negativos e que apresentavam risco substancial de contrair o vírus. Ou seja, pessoas que tinham relacionamento estável com alguém soropositivo, pessoas com vários parceiros e que não faziam uso de preservativos, e usuários de drogas ilícitas injetáveis.

Nos EUA, o Truvada foi lançado com grande controvérsia. Muitos médicos acreditam que seu uso encorajaria um comportamento sexual mais irresponsável. Há também a preocupação com os pacientes que não tomam o medicamento conforme a prescrição, falhando em um ou outro dia, o que poderia tornar o vírus mais resistente.

Resultados medidos

Desde 2011, vários estudos globais têm sido realizados para verificar a eficácia preventiva de Truvada e para saber se as pessoas que o utilizam estão agindo de forma responsável. Os principais resultados foram publicados em setembro de 2014, na The Lancet Infectious Diseases.

 Segundo o estudo, foi indicado aos pacientes que tomassem o medicamento todos os dias da semana, mas apenas 33% dos participantes estavam tomando a droga por 4 dias ou mais na semana. Para este grupo, os resultados se mostraram encorajadores: eles estavam quase totalmente protegidos contra o vírus.

Entretanto, o alto índice de pessoas que tomam o medicamento esporadicamente levou a uma queda nos resultados globais do estudo. Assim, em termos globais, o estudo apontou que os participantes apresentaram incidência 49% menor de infecção.

Prós e contras

 Mesmo com os resultados positivos do uso correto, é preciso ter em mente que Truvada é uma medicação forte. O efeito colateral mais comum é distúrbio no estômago, no intestino e dor de cabeça. Problemas hepáticos e renais são possíveis, mas raros.

Também é importante lembrar que a droga não faz absolutamente nada para prevenir outras doenças sexualmente transmissíveis graves, como sífilis, gonorréia, herpes e hepatite. Por esta razão, mesmo as pessoas que tomam Truvada diariamente não podem abrir mão do uso de preservativos.

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