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Sair do armário faz bem à saúde, diz estudo canadense

Quando o corpo é submetido a um estresse súbito, por exemplo, ao sofrermos um assaltado, imediatamente, é secretado vários hormônios e substâncias químicas (como adrenalina e cortisol) para ajudar o nosso organismo a responder rapidamente.

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No mesmo instante, a mente fica mais focada, os olhos dilatam-se, a força muscular aumenta, o coração bate mais rápido e a pressão arterial sobe.

Tudo isso é ótimo em situações raras, como agressões (até mesmo ataques verbais) ou apresentações importantes para uma plateia. Entretanto, se o seu corpo receber esses sinais de estresse a longo prazo, será exigido um tremendo esforço do seu organismo.

Atualmente, há muitas pessoas sofrendo com a secreção crônica dessas substâncias químicas em seu corpo. Os efeitos adversos incluem: hipertensão, aumento da coagulação sanguínea (o que leva a ataques cardíacos e derrames cerebrais), desgaste do músculo cardíaco e redução da função imunológica.

Ou seja: se o seu corpo for exposto a algum tipo de estresse crônico, ele se torna mais propenso a adquirir desde doenças mais simples, como resfriados e dores de cabeça, a problemas mais grave, como o câncer.

Agora, imagine o estresse crônico a que seu corpo seria submetido, caso tivesse de esconder quem você é, o seu verdadeiro eu, 24 horas por dia? Não seria esta uma situação de enorme tensão para o seu sistema?

Para investigar essa questão cientificamente, pesquisadores do Center for the Study of Human Stress, do Hospital Lafontaine, em Montreal (Canadá), fizeram uma pesquisa interessante e simples.

Eles encontraram um grupo de 87 voluntários saudáveis, com idade média de 25 anos, sendo metade homens e metade mulheres. O grupo selecionado era formado por metade de lésbicas, gays e bissexuais (LGB) e a outra metade por heterossexuais.

Durante vários dias, foi realizada uma bateria de exames de sangue, urina e testes de saliva para “medir 21 biomarcadores, que representam o funcionamento das células neuroendócrinas imunes / inflamatórias, metabólicas e cardiovasculares. A avaliação psicológica foi feita por meio de questionários bem validados”.

E os resultados foram:

1. Os LGBs que haviam “assumido” a sua sexualidade apresentaram sinais significativamente menores de depressão, ansiedade e esgotamento emocional do que os LGBs que ainda estavam no “armário”. Além disso, os indivíduos “assumidos” tinham níveis significativamente mais baixos do principal hormônio do estresse, o cortisol.

2. Um resultado surpreendente para os pesquisadores foi que os indivíduos abertamente LGB eram tão felizes, saudáveis e satisfeitos com seus empregos quanto às pessoas heterossexuais. Os homens assumidamente gays tiveram menores taxas de depressão e estavam fisicamente melhores do que os homens heterossexuais da mesma faixa etária.

Os autores advertem que o estudo foi realizado em Montreal, uma cidade avançada e progressiva, e que os resultados, em um ambiente mais repressivo, podem ser diferentes. Mas, ainda assim, os pesquisadores dão outro motivo para que os LGBs saiam do armário: depois de passarem por um período estressante (provavelmente, no início da aceitação de sua orientação sexual), podem se tornar, em um prazo maior, mais saudáveis.

Finalmente, um dos autores do estudo, o Dr. Nathan Smith Grant, compartilha sua visão mais ampliada sobre o assunto: “Sair do armário já não é mais uma questão de debate popular, mas uma questão de saúde pública. Internacionalmente, a sociedade deve se esforçar para facilitar essa auto-aceitação, promover a tolerância, avançar politicamente e dissipar o estigma das minorias”.

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Veja também na ProcuraMed:

*Mulher identifica com mais precisão a orientação sexual de um homem

*Homofobia tende a ser maior entre pessoas que têm atração pelo mesmo sexo

 

 

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