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Gonorreia versus antibióticos: quem vai ganhar?

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 1,5 milhão de brasileiros, a cada ano, contraem gonorreia – doença sexualmente transmissível (DST). Isso por si só é significativo, mas a extensão do problema se torna mais clara quando aprendemos que a bactéria que causa a gonorreia, a Neisseria gonorréia, está se tornando resistente a quase todas as formas de antibióticos.

“A resistência aos antibióticos” é um fenômeno comum. É uma batalha de sobrevivência: uma bactéria, tal como as demais espécies, está tentando sobreviver, e a ciência médica está constantemente tentando matar aquelas que causam doenças. Muitas bactérias não são prejudiciais, por exemplo, a maioria das que vivem em nosso intestino é útil e realmente necessária para o bom funcionamento do nosso corpo.

Os médicos, constantemente, prescrevem antibióticos para combater as bactérias nocivas, e elas, para sobreviver como espécie, sofrem mutações (alterações) lentamente e de forma contínua ao longo dos anos para se tornarem mais fortes do que os medicamentos. Assim, cada nova geração de bactérias é ligeiramente mais resistente aos antibióticos e o remédio que já foi eficaz, agora não é. As bactérias ganharam a batalha, de modo que os médicos têm de utilizar um outro medicamento, mais forte (sempre mais caro e, muitas vezes, com mais efeitos colaterais), para combatê-las.

Então, o ciclo recomeça. O novo antibiótico, gradualmente, perde a batalha para as bactérias. Neste momento, provavelmente, está tudo bem, desde que os médicos tenham outros tipos de antibióticos para recomendar. O problema é que estamos esgotando os tipos de antibióticos disponíveis para certas doenças, como a gonorreia.

A história da luta da medicina contra a gonorreia tem sido esta: antes de os antibióticos serem descobertos, a doença era tratada com solução de prata via oral, mas na década de 1940, uma nova droga, a  penicilina, provou ser um tratamento muito melhor. Em 1976, a bactéria se tornou mais forte do que a penicilina, então, os médicos começaram a usar tetraciclina e eritromicina. Estas funcionaram até cerca de 1986. Em seguida, foi necessário passar para a classe de antibióticos de cefalosporina, depois, as fluoroquinolonas. Por vezes, uma combinação de vários tipos foi necessária para matar a infecção.

Cerca de cinco anos atrás, a bactéria da gonorreia venceu todas essas classes de antibióticos, exceto o grupo da cefalosporina. E, antes de 2012, uma forma oral de cefalosporina, que funcionava normalmente, recebeu uma recomendação das autoridades de saúde pública para ser combinada e administrada por injeção junto com outro antibiótico oral.

Enquanto a indústria farmacêutica tem sido notável para o desenvolvimento de novos (e rentáveis) medicamentos para doenças como AIDS, disfunção erétil, rugas na testa e colesterol alto, ela não está sendo tão bem sucedida para encontrar novos antibióticos, e por esta razão estamos ficando sem eles.

Você pode ler mais sobre os sintomas, complicações, tratamento e prevenção da gonorreia aqui. A melhor maneira de tratar essa DST é evitar que ela entre em seu organismo. A única maneira segura de prevenção é evitar o contato sexual ou manter uma relação monogâmica entre parceiros não infectados. Se não for possível, a melhor prevenção é o preservativo, usado corretamente, sempre que fizer sexo. Sobre o uso correto do preservativo, você pode obter mais informações aqui.

Hoje, demos apenas uma visão geral da resistência das bactérias aos antibióticos. É uma questão importante para a medicina moderna, portanto, fique atento ao Mais Saúde para mais novidades sobre este assunto.

Se você quiser encontrar um médico no Brasil, você pode fazê-lo através do nosso site principal: www.procuramed.com.

Veja também na ProcuraMed:

*Mulheres grávidas podem não estar fazendo testes de DSTs

*Os benefícios do sexo

 

 

 

 

Gonorreia versus antibióticos: quem vai ganhar? was last modified: junho 17th, 2016 by

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