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AIDS: próximos da Cura Funcional

É incrível pensar que as primeiras infecções de pele, causadas pelo vírus HIV, começaram a aparecer 32 anos atrás e, há 29 anos, a Secretaria de Saúde dos Estados Unidos anunciava que uma vacina para o vírus da AIDS provavelmente ficaria pronta “dentro de dois anos”.

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Trinta anos depois, ainda estamos à espera de uma vacina ou uma cura para essa doença. No entanto, para os infectologistas, o HIV é um vírus muito mais difícil de controlar do que imaginavam. Exceto pelo tratamento desenvolvido no final da década de 1990, chamado “coquetel anti-HIV”, existem poucos motivos para se comemorar ao longo desses 32 anos de AIDS.

Mas, nos últimos dois anos, médicos pesquisadores começaram a usar a palavra “cura”, embora o sentido não seja, realmente, o de “cura” completa. O termo significa “cura funcional”, algo mais ou menos semelhante a “ligeiramente grávida”. Vamos entender isso melhor.

Muitos pesquisadores agora acreditam — apesar dos bilhões de dólares gastos em pesquisa — que a cura total para o HIV não acontecerá nos próximos anos. E o melhor que podemos esperar, nesse momento, é pela “cura funcional”. Funciona assim: uma pessoa, ao contrair o vírus HIV, inicia, logo em seguida, o tratamento retroviral, com três ou mais medicamentos (o coquetel); mas, alguns anos mais tarde, suspende a medicação.

As pessoas com uma contagem de HIV muito baixa ou indetectável por um período longo e indeterminado, depois que pararam com o medicamento, são considerados “funcionalmente curado”

Geralmente, os soropositivos não devem parar a medicação uma vez que o tratamento com o coquetel foi iniciado. Devem permanecer com ele por toda a vida – ou até o surgimento de um tratamento melhor. Porém, como ocorre em outras situações, algumas pessoas não aderem ao tratamento recomendado. Param de tomar os remédios por várias razões… por serem muito caros, inconvenientes, terem efeitos colaterais, entre outras.

A maioria das pessoas infectadas pelo HIV, quando para com a medicação, sofre um grande aumento da carga viral em seu organismo em poucas semanas. Mas, isso não ocorre em todos os casos, ponto este que se tornou tema de uma pesquisa francesa, publicada online, no dia 14 de março, na PLoS Pathogens.

Os pesquisadores do Instituto Pasteur, de Paris, descreveram 14 pacientes que tiveram uma “cura funcional”. Eles fizeram o tratamento com o coquetel por uma média de três anos e, depois, pararam com ele. Apesar disso, a contagem viral deles manteve-se excepcionalmente baixa ou indetectável por uma média de sete anos após a suspensão do uso do coquetel.

Os pesquisadores acreditam que a chave para o sucesso daqueles 14 pacientes “sortudos” foi iniciarem o tratamento em até 10 semanas depois de terem se infectados pelo HIV. Outra questão importante, é que os pesquisadores estimam que apenas até 15% das pessoas que iniciam o tratamento poderão parar o tratamento em algum momento e se aproveitar da cura funcional. A maioria dos pacientes deve voltar a tomar a medicação pois não foi curada.

Ainda assim, é uma boa notícia, e pesquisadores estão direcionando a atenção para ampliar o percentual de curas funcionais. Até agora, o que se sabe é que, quanto mais precoce o tratamento feito, melhor. Se uma pessoa infectada esperar muito tempo para tratar-se, seu sistema imunológico será danificado, pouco a pouco, pelo HIV, o qual começará a hospedar-se em vários órgãos, incluindo o cérebro, complicando o tratamento e tornando mais difícil a supressão completa.

Isto deve se dar a todos nós, sexualmente ativos, e, portanto, com riscos potenciais de contrair o HIV: faça o teste várias vezes por ano, pois, se uma pessoa se tornar soropositiva, deve começar a usar o coquetel o mais rápido possível.

Lembre-se, porém, que o coquetel anti-HIV é potente e, como forma de tratamento é muito mais tranquilo do que costumava ser décadas atrás, mas não é brincadeira. Há efeitos colaterais. A melhor abordagem é evitar a infecção pelo HIV, o que significa fazer, sempre, sexo com o máximo de segurança.

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