sperm e ovum

A pílula do dia seguinte e como funciona

Algumas semanas atrás no Blog Mais Saúde, nós discutimos um estudo recente mostrando que a maneira mais eficaz de prevenir a gravidez indesejada após uma relação sexual desprotegida é o DIU.

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Mas de longe, a forma mais popular de “contracepção de emergência” é a chamada “pílula do dia seguinte”, que pode assumir várias formas, e no Brasil, esta pílula é feita do hormônio feminino semi-sintético chamado levonorgestrel (uma forma de progesterona). Este é o mesmo hormônio que é utilizado em alguns anticoncepcionais comuns, mas para a contracepção de emergência é usado uma dose muito maior.O uso é feito de um a dois comprimidos até 3 dias após relação sexual desprotegida (as vezes até 5 dias). As pílulas são quase 90% eficazes em diminuir a chance de gravidez.

Nos Estados Unidos recentemente tem havido um grande interesse em se saber como realmente funcionam essas pílulas e como elas evitam a gravidez. Já que alguns candidatos políticos neste ano eleitoral têm comparado o uso desse tipo de contraceptivo com o aborto, uma questão controversa, não importa onde seja discutida.

Surpreendentemente, o interessante é que nem os cientistas sabem ao certo como funcionam estas pílulas, porque para estudar os efeitos em seres humanos significaria interromper o sistema reprodutivo da mulher, por enquanto o que temos são várias teorias. Originalmente se pensou que as pílulas impediam a implantação de um óvulo fertilizado no útero,  o que causou em alguns ativistas anti-aborto a comparação da pílula com um aborto, mas estudos recentes indicam que esse mecanismo de ação é improvável.

Melhores dados agora mostram que a pílula do dia seguinte funciona suprimindo a liberação do óvulo do ovário. O corpo, ao receber a dose elevada de levonorgestrel, é basicamente levado a crer que a mulher já está grávida, desse modo o ovário não libera um novo óvulo para ser fecundado. Sem um óvulo liberado, mesmo com milhões de espermatozoides prontos para trabalhar, não há fertilização. Se este for o caso, de modo algum isso pode ser considerado um aborto. Talvez também seja possível que em alguns casos, o trabalho do levonorgestrel funcione por outro mecanismo, como fazer o muco cervical hostil ao esperma, mas novamente, é muito complexo estudar o sistema reprodutor dos seres humanos.

Resumindo, pelo que tudo indica, a pílula do dia seguinte não provoca de forma alguma o aborto de um embrião. A pílula é altamente eficaz mas não é 100% segura. Se for utilizada, é mais eficaz quando tomada logo após a relação sexual sem proteção. Não é um método para controle da natalidade diária, como o DIU, que fornece tanto a contracepção diária,  como também a contracepção de emergência. Mas é importante alertar que nenhum destes métodos proporciona qualquer proteção contra a AIDS ou DSTs. O sexo seguro deve sempre ser praticado.

Você pode querer discutir os vários métodos contraceptivos com um ginecologista ou obstetra. Se você precisa encontrar um, você pode fazê-lo através do nosso site principal: www.procuramed.com. 

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