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Grandes empresas de alimentos ajudam os brasileiros a se tornarem obesos?

Há alguns dias, o The New York Times publicou o artigo “Como grandes empresas deixam o Brasil viciado em junk food”. Nele, é revelado o quanto grandes empresas globais, americanas e europeias, expandiram seus mercados com sucesso para países em desenvolvimento, como o Brasil, e, nesse processo, prejudicaram a saúde das pessoas.

A estratégia é simples e já aconteceu com as empresas de tabaco. Quando os norte-americanos começaram a comprar menos cigarros, as companhias de tabaco americanas se concentraram em países menos desenvolvidos para compensar as vendas perdidas. O mesmo acontece com as empresas de alimentos processados, que estão direcionadas para países como o Brasil para vender mais de seus produtos menos saudáveis.

O artigo ouviu Carlos A. Monteiro, professor de nutrição e saúde pública na Universidade de São Paulo. Ele afirma que “o que temos é uma guerra entre dois sistemas alimentares: uma dieta tradicional, de alimentos reais produzida pelos agricultores ao seu redor, e os produtores de alimentos ultraprocessados, destinados a ser excessivamente consumidos e, em alguns casos, viciantes”.

Sobrepeso e subnutrição

O artigo implica que empresas globais como Nestlé, Coca Cola, Pepsi e KFC estão tentando viciar as pessoas em alimentos ricos em calorias e açúcar e com poucos nutrientes. Esses esforços estão contribuindo para um problema de saúde pública novo e perturbador: pessoas com excesso de peso e desnutridas.

Crianças na mira

Algumas dessas empresas visam crianças. Se as crianças ficam viciadas em junk food processado, é provável que elas se tornem clientes ao longo da vida. De forma alarmante, a obesidade infantil no Brasil aumentou 270% desde 1980.

Adultos com excesso de peso: EUA X Brasil

Para adultos brasileiros, as taxas de obesidade quase triplicaram nos últimos 10 anos. A Organização Mundial de Saúde diz que 55% dos brasileiros com mais de 18 anos de idade estão acima do peso. A porcentagem nos EUA é de 73%. Por enquanto, o problema não é tão grave no Brasil, mas se a tendência persistir, em alguns anos o Brasil pode ter tantas pessoas gordas quanto os EUA.

Como as empresas visam o Brasil

O artigo observa como a Nestlé, como um exemplo, empregou milhares de mulheres (apenas mulheres) para vender produtos Nestlé de porta em porta, principalmente nos estados mais pobres. Algumas das mulheres costumavam vender Avon ou Tupperware, mas os produtos da Nestlé pagam melhor. A Nestlé chegou a patrocinar um barco para entregar dezenas de milhares de pacotes de leite em pó, iogurte, biscoitos e doces no coração da Amazônia.

Alguns críticos queixaram-se de que a Nestlé empurrou suas fórmulas infantis para novas mães, quando toda a pesquisa médica prova que a amamentação é muito melhor para a saúde da criança e da mãe. As empresas globais contribuíram com milhões para candidatos ao Congresso e pressionaram, com sucesso, o governo a suspender planos que teriam regulamentado a publicidade de junk food direcionados a crianças (semelhante às restrições à publicidade no tabaco).

Mas também temos que ser justos: a Nestlé tornou muitos dos seus produtos mais saudáveis, reduzindo os açúcares em produtos como o Molico, e investindo mais nos cereais integrais. No entanto, a maioria das pessoas ainda prefere os produtos mais doces e menos saudáveis.

Para mais informações, leia o artigo original do The New York Times.

O artigo serve de alerta: todos devemos estar atentos ao que está acontecendo e falar sobre os benefícios da comida real sobre alimentos embalados e processados. Ao contrário de muitas outras áreas de nossas vidas, para a alimentação, o tradicional é melhor. Consumir alimentos processados pode ser mais rápido, mas é muito mais provável que levem a obesidade, diabetes, doenças cardíacas e uma vida menos agradável.

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Grandes empresas de alimentos ajudam os brasileiros a se tornarem obesos? was last modified: setembro 29th, 2017 by

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