Mais Saúde

Medicamentos comuns podem aumentar o risco de demência

Medicamentos usados por milhares de pessoas ao redor do mundo podem aumentar significativamente o risco de demência. Pesquisas realizadas na Alemanha, França e, mais recentemente, nos EUA, apontam que algumas drogas usadas com frequência para problemas alérgicos, nasais, intestinais, de bexiga hiperativa, depressão e doença de Parkinson podem levar a um estado permanente de confusão mental ou lentidão.

Esses medicamentos são anti-colinérgicos, inibidores do neurotransmissor acetilcolina. Também causam efeitos colaterais como boca seca, olhos secos, prisão de ventre, retenção urinária e sonolência. Acreditava-se, até então, que os efeitos colaterais fossem temporários e que a mente do paciente voltaria ao normal após a interrupção do uso. Entre esses medicamentos estão:

Alergia e problemas nasais: difenidramina (como Benadryl), clorfenamina (como Polaramine ou Resfenol),

Dor, problemas intestinais e debexiga: orfenadrina (como Dorflex), escopolamina (como Buscopan), oxibutinina (como Retemic), tolterodina (como Detrusitol)

Depressão: doxepina, amitriptilina, paroxitina (Paxil)

Todas essas drogas diminuem a atividade do neurotransmissor acetilcolina. Normalmente, à medida que envelhecemos, a quantidade de acetilcolina no cérebro diminui. Além disso, pacientes com demência, inclusive a doença de Alzheimer, normalmente têm baixa atividade da acetilcolina.

Três pesquisas sugerem que os efeitos colaterais mentais causados por esses medicamentos podem ser permanentes, especialmente se eles são tomados com frequência por vários anos e/ou em doses mais elevadas. O último estudo sobre este tema foi realizado nos EUA e publicado no JAMA Internal Medicine. Nele, foram acompanhados mais de 3 mil homens e mulheres com mais de 65 anos. O estudo iniciou em meados da década de 1990 e nenhum dos voluntários tinha qualquer evidência de demência. Eles passaram por testes físicos e mentais a cada dois anos, alguns deles realizados até 2012.

Os pesquisadores descobriram que, ao longo desse tempo, 23% dos voluntários desenvolveram algum tipo de demência. As pessoas que tomaram drogas anti-colinérgicas por mais de três anos e/ou em doses elevadas tiveram risco de 20% a 55% maior de desenvolver demência em comparação aos voluntários que não tomaram esses medicamentos ou que só fizeram uso por curtos períodos de tempo.

Quanto mais a pessoa tomou os medicamentos, maior foi o risco. Embora os pesquisadores enfatizem que isso não prova que os medicamentos causaram a demência, é provável que o uso tenha sido um fator significativo.

O que fazer se você tomar esses medicamentos

Se você não sabe se um medicamento que você toma é um anti-colinérgico, pergunte ao seu farmacêutico ou ao seu médico. Caso seja, você pode pedir ao seu médico que mude para um medicamento mais moderno, que tenha o mesmo resultado, mas sem o efeito colateral anti-colingérico.

Por exemplo, se você toma Benedryl para alergias, você pode mudar para um anti-histamínico como Claritan (loratadina), que não é um anti-colinérgico e também não causa sonolência. Se você usa um antidepressivo tricíclico como a amitriptilina, pode solicitar que seu médico considere a mudança para um novo tipo de antidepressivo SSRI, como citalopram ou fluoxetina. Também é possível tratar problemas de bexiga com injeções de botox ou com terapia psicológica.

Mas se você realmente necessita tomar um medicamento anti-colinérgico, as pesquisas mostram que é melhor tomar a menor dose e pelo mais curto período possível. Converse com seu médico e avalie a possibilidade de mudança na dosagem.

Se você precisar encontrar um médico em qualquer lugar do Brasil, use o nosso site principal: www.procuramed.com.

Veja também na ProcuraMed:

 Medicamentos para pressão arterial que diminuem o risco de demência

Pesquisa relaciona problemas de ereção a colesterol alto

Medicamentos comuns podem aumentar o risco de demência was last modified: março 15th, 2016 by

Esta postagem também está disponível em: Inglês