Medicação ligada ao risco duplicado de câncer de pâncreas

De acordo com pesquisadores da FURJ (Rio de Janeiro), a incidência de câncer de pâncreas no Brasil quase dobrou de 2005 a 2012. Agora, um estudo americano mostra que mulheres que usaram um tipo particular de medicação para pressão arterial apresentam risco significativamente maior de desenvolver câncer de pâncreas.

O câncer de pâncreas é particularmente difícil de curar. Das pessoas que o desenvolvem, apenas 9% permanecem vivas cinco anos após o diagnóstico. Qualquer estilo de vida ou medicação que possa aumentar o risco é importante para reconhecer e modificar, se possível, essa trajetória.

Pesquisa sobre o câncer de pâncreas

Os pesquisadores, do Comprehensive Cancer Center, no Baylor College of Medicine (Houston, Texas), analisaram dados acumulados de 145.551 mulheres que já haviam entrado na menopausa. Os dados foram coletados ao longo de 14 anos. As mulheres faziam parte do Estudo da Iniciativa de Saúde da Mulher, patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde (EUA). Durante os 14 anos, 841 mulheres foram diagnosticadas com câncer de pâncreas, e isso foi correlacionado com alguma medicação que estavam tomando.

Resultados 

Mulheres que já haviam tomado o tipo de medicação para pressão arterial chamada de “bloqueador do canal de cálcio de ação curta” mostraram uma incidência 66% maior de câncer pancreático. As mulheres que tomaram esses medicamentos por mais de três anos apresentaram incidência 107% maior.

Observe que esses riscos eram para uso dos bloqueadores dos canais de cálcio de “ação curta”. As mulheres que usaram uma versão de bloqueador de longa duração apresentaram risco apenas 12% maior do que as mulheres que não tomavam esses medicamentos.

Note também que não houve aumento do risco de câncer de pâncreas para as mulheres que tomam qualquer outro tipo de medicação para pressão arterial, como betabloqueador, inibidor da enzima conversora de angiotensina ou diurético.

Quais são os bloqueadores dos canais de cálcio?

As marcas comuns dos bloqueadores de cálcio a curto prazo incluem nifedipina (Adalat, Procardia), nicardipina (Cardene), isradipina (DynaCirc), diltiazem (Cardizem, Dilacor) e verapamil (Calan, Covera, e Verelan).

Por que esses medicamentos aumentam o risco

Os autores do estudo ficaram surpresos com os resultados porque se pensava que os medicamentos anti-hipertensivos diminuiriam o risco de câncer de pâncreas. Eles não sabem ao certo por que essa classe particular de medicamento parece aumentar o risco, mas acreditam que eles aumentam de alguma forma a inflamação no corpo, o que pode ativar o pâncreas para formar um câncer.

O que você deveria fazer?

Se você toma medicamentos para pressão arterial que NÃO são um dos bloqueadores dos canais de cálcio, não se preocupe. Se você tiver dúvidas sobre o tipo de medicação que usa, consulte seu farmacêutico ou médico.

Se já tomou ou estiver tomado um bloqueador dos canais de cálcio, verifique com o seu médico se é necessária a preocupação ou se você pensa em mudar para um tipo diferente de medicação para pressão arterial. Seja o que for, não mude ou pare uma medicação como esta sem antes consultar o seu médico.

O que mais você pode fazer para evitar o câncer de pâncreas?

– Não fume

– Evite a obesidade

– Limite o consumo de carne vermelha

– Evite carnes processadas

– Evite carnes queimadas

– Evite o consumo excessivo de álcool

– Mantenha suas gengivas e dentes em boas condições

– Coma muitas frutas e legumes

– Limite a ingestão de açúcar

E homens?

Por fim, embora este estudo tenha sido realizado apenas em mulheres, é provável que os bloqueadores dos canais de cálcio tenham o mesmo efeito nos homens. Esta relação, entretanto, ainda não foi estudada.

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