Keytruda para combater cânceres avançados

Keytruda— A nova droga para combater cânceres avançados

Entre todos os tipos de câncer, o de pulmão é a principal causa de morte em todo o mundo. No Brasil, estima-se que 24 mil pessoas morrem por ano com esta doença. Para combater o câncer de pulmão e outros tipos avançados, uma nova droga, Keytruda, vem sido testada com sucesso.

Um estudo internacional que acaba de ser publicado mostra um benefício notável com uma nova droga de imunoterapia, o Keytruda. Esta droga também mostrou bons efeitos em alguns outros cânceres avançados, como o melanoma.

História do Keytruda

Keytruda (de nome científico pembrolizumabe) foi desenvolvido pela primeira vez em 2006. Em 2011, os primeiros testes foram realizados em pessoas com melanomas avançados e cânceres de pulmão. O medicamento foi apresentado pela primeira vez à comunidade médica em uma audiência completamente lotada na Sociedade Americana de Oncologia Clínica em Chicago, em 2014.

Em 2017, após bons resultados, o medicamento foi aprovado (nos EUA, Brasil e Europa) para mais tipos de tumores, incluindo câncer avançado de cabeça e pescoço e de bexiga, e para certos linfomas.

Publicado em 16 de abril de 2018, no New England Journal of Medicine, um estudo global incluiu 616 pacientes de 16 países, todos com câncer avançado de pulmão de pequenas células (o tipo mais comum). Este foi o maior estudo divulgado até agora e poderá estimular o uso de Keytruda em outros tipos de câncer, como de mama e cólon.

Resultados com Keytruda

Este último estudo mostrou que as pessoas com câncer de pulmão avançado que receberam Keytruda mais quimioterapia padrão tiveram uma taxa de sobrevivência de 69% em um ano após o diagnóstico. As pessoas que receberam quimioterapia sem Keytruda tiveram uma sobrevida de 49% em um ano. Embora isso possa não parecer uma grande diferença, é considerado um grande avanço. Esta é a primeira nova droga em muitos anos que demonstrou tal benefício.

Imunoterapia: o futuro do tratamento

Keytruda, juntamente com outros 3 medicamentos similares aprovados, são anticorpos monoclonais que ativam nosso próprio sistema imunológico para matar as células cancerígenas. Isso é diferente da quimioterapia tradicional, que se baseia em medicamentos potentes, geralmente com fortes efeitos colaterais, para matar diretamente as células cancerígenas. A maioria dos pesquisadores de câncer está convencida de que o futuro da terapia do câncer está na imunoterapia, muitas vezes combinada com a quimioterapia, em vez de apenas a quimioterapia.

Como funciona o Keytruda

O pembrolizumabe é considerado um “inibidor do ponto de verificação imunológico”. Certos tipos de câncer, em sua batalha pela sobrevivência, escondem-se das células T, nossas células imunológicas que normalmente matariam as células cancerígenas. O Keytruda desmascara essas células cancerígenas, então nossas células T podem destruí-las.

O medicamento funciona melhor em cânceres que têm um perfil genético específico, não importa onde esteja localizado. A droga só é dada a pessoas com certos biomarcadores no sangue que mostram que o câncer é suscetível a este tratamento.

Efeitos colaterais

Embora efeitos colaterais graves sejam possíveis, como danos nos rins, a maioria dos pacientes sofre apenas de efeitos colaterais mais leves, como náusea, anemia e fadiga. O maior problema é o custo: um ano de tratamento custa mais de US $ 100.000.

Como o medicamento é aprovado pela Anvisa no Brasil, é possível que seja obtido para pacientes com certos tipos de câncer e biomarcadores, que mostram que o medicamento poderia ajudar no tratamento.

O futuro

O Keytruda é o primeiro medicamento de imunoterapia a ser aprovado para o câncer e, sem dúvida, muitos ainda serão desenvolvidos na próxima década. A imunoterapia é agora a área número um da pesquisa sobre o câncer. Ainda não há cura, mas a pesquisa está se aproximando. Vamos mantê-lo atualizado aqui.

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