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Saiba mais sobre o medicamento feminino que vem agitando o mercado

Você deve ter visto, na última semana, notícias sobre um novo medicamento batizado de “Viagra feminino”. A droga é composta por flibanserin, de uso aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) do EUA. Ele ainda não está disponível no Brasil, mas selecionamos algumas perguntas frequentes sobre esta novidade:

O “Viagra feminino” age do mesmo jeito que o masculino?

Não. A única semelhança é que ela é uma droga produzida com a intenção de melhorar o funcionamento sexual. O Viagra (masculino) não aumenta a libido, ele só ajuda os homens a ter uma melhor ereção. Flibanserina, por outro lado, funciona apenas sobre a libido.

Quem pode usar este medicamento?

Ele será vendido para as mulheres que estão experimentando estresse emocional devido a um desejo sexual reduzido.

Esta droga levou muitos anos para ser aprovada. Por quê?

Em 2010 e novamente em 2013, a FDA se recusou a aprovar o medicamento porque os testes clínicos apresentados pela empresa farmacêutica não mostraram benefício significativo e porque os efeitos colaterais eram preocupantes. Depois de 2013, a empresa lançou uma grande campanha de comunicação com dados de que o medicamento havia melhorado. Só então a droga foi aprovada.

Por que essa droga é tão controversa?

A controvérsia começou justamente com a campanha de comunicação e de relações públicas. Ela era composta por cartas e petições de mulheres enviadas à FDA, pedindo por uma medicação que as pudesse ajudar. Essas mulheres diziam que a entidade estava sendo injusta, porque havia aprovado o Viagra, mas vetava a aprovação do medicamento feminino.

O argumento da FDA, porém, se baseava apenas no fato de o flibanserin não ter testes que comprovassem sua eficiência, além dos efeitos colaterais. O posicionamento foi corroborado por organizações reconhecidas, como a Rede Nacional de Saúde Feminina, que publicou que “flibanserin oferece muito pouca eficácia a um preço muito alto a pagar para a nossa segurança”.

Qual é a eficácia dessa droga?

Considerando todos os testes feitos em humanos, os resultados foram pouco satisfatórios. Em testes com mulheres que tomaram a droga, foi observado aumento de meio a 1 evento sexual satisfatório a mais por mês em comparação às mulheres que tomaram placebo. Em geral, apenas 10% das mulheres que tomam a droga reportam uma melhoria muito significativa no desempenho sexual.

Como a pílula funciona?

A droga parece ajudar a regular e a normalizar três neurotransmissores do cérebro: dopamina, noradrenalina e serotonina. A ação é semelhante à forma como anti-depressivos trabalham no organismo.

 Quais são os efeitos colaterais?

Os efeitos colaterais mais comuns, geralmente leves, são tonturas, náusea e sonolência. A grande preocupação da FDA, porém, está nosefeitos menos comuns e mais graves, como desmaios e pressão arterial severamente reduzida. Para aprovar o medicamento, a FDA passou a exigir que todo médico que prescreva flibanserin informe com antecedência, por meio de certificação on-line, que está ciente sobre os riscos oferecidos às pacientes – uma exigência incomum da FDA. Também exige que as mulheres sejam informadas de que não podem beber álcool junto com o medicamento.

Afinal, este medicamento é útil para mulheres com baixo desejo sexual?

Para as brasileiras, a boa notícia é que, até que o uso seja aprovado no Brasil, possivelmente teremos mais informações para avaliar se realmente vale a pena testar. No longo prazo, medicamentos melhores deverão ser desenvolvidos. Até lá, o que recomendamos é que você fale com seu ginecologista e, se achar necessário, com um profissional de psicologia. Nem sempre um remédio é a melhor solução.

Se você precisar encontrar um médico em qualquer lugar do Brasil, use o nosso site: www.procuramed.com.

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Saiba mais sobre o medicamento feminino que vem agitando o mercado was last modified: março 14th, 2016 by

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