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Novos caminhos para a terapia de reposição hormonal feminina

Durante a década de 1990, milhões de mulheres, na menopausa e pós-menopausa, fizeram terapia de reposição hormonal (TRH) com a esperança de que o tratamento não só reduzisse os sintomas da menopausa, mas diminuísse o risco de algumas doenças crônicas, como as do coração.

Na maioria dos casos, a TRH trabalhou bem a redução dos sintomas da menopausa, como ondas de calor e suores noturnos. Mas, em 2002, um importante estudo foi divulgado e abalou todo o universo de mulheres em TRH, fazendo cair, vertiginosamente, o uso de hormônios femininos como forma de tratamento. Pesquisas da Iniciativa em Saúde da Mulher (em inglês, WHI, parte integrante dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos) descobriram que a TRH era perigosa e que não deveria ser utilizada.

Esse estudo (WHI) foi concluído rapidamente, pois os pesquisadores não queriam que as mulheres fossem ainda mais prejudicadas. Os resultados iniciais mostraram que a TRH aumenta o risco de doença cardiovascular, derrame e câncer de mama. Assim, muitas mulheres deixaram a TRH e, infelizmente, voltaram a sentir os miseráveis sintomas da menopausa.

Desde 2002, uma série de outros estudos sobre reposição hormonal foi realizada e os resultados da pesquisa WHI foram postos em questão. Mas, apenas recentemente, em outubro de 2012, a Força-Tarefa Preventiva de Saúde dos Estados Unidos divulgou um relatório, basicamente, confirmando o estudo WHI e contrário “à utilização combinada de estrogênio e progestina  para a prevenção de doenças crônicas em mulheres na pós-menopausa”.

Apesar desse relatório, um número de especialistas na área acreditam que o caso de cada mulher precisa ser considerado individualmente. Por exemplo, o Dr. Maude Guerin, um membro da North American Menopause Society (Sociedade de Menopausa da América do Norte), afirma que, “cada paciente, é como um cubo de Rubik, que precisa da solução certa para ele. Hormônios não são uma panaceia ou uma arma de destruição em massa”.

Uma das razões para o questionamento do estudo WHI 2002 é que foi realizado, principalmente, com mulheres na faixa dos 60 e 70 anos. Uma nova análise dos dados do WHI, sobre mulheres mais jovens, em seus 50 anos, mostrou que a TRH realmente baixou o risco de doença cardíaca e que elas apresentaram menor probabilidade de morrer de qualquer causa ao longo dos 50 anos, fazendo uso da reposição hormonal.

A TRH é complexa e envolve prós e contras, não só para a doença de coração, derrame e câncer de mama, mas também – dependendo do perfil de risco e da idade das mulheres – de demência, problemas de vesícula, osteoporose, câncer de cólon, diabetes até a formação de coágulos sanguíneos nas pernas e pulmões. Aqui está um gráfico detalhando algumas questões gerais  dos “prós” e “contras” da TRH:

Prós

• Reduz o risco de osteoporose e fraturas

• Reduz o risco de diabetes

• Reduz o risco de câncer de cólon

• Reduz os afrontamentos e suores noturnos

• Reduz o mau-humor

• Previne a atrofia vaginal

• Pode reduzir os riscos cardiovasculares em mulheres saudáveis

Contras

• Aumenta o risco de AVC

• Aumenta o risco de embolia pulmonar

• Aumenta o risco de doença cardíaca em mulheres mais velhas

• Aumenta o risco de câncer de mama

• Aumenta o risco de demência após os 65 anos

• Pode aumentar a sensibilidade nos seios

Muitos especialistas acreditam que a maioria das mulheres mais jovens, que são aquelas com 50 anos ou no início da menopausa, pode usar, com segurança, a TRH, se apresentarem os sintomas de desconforto da menopausa e à curto prazo. No entanto, as mulheres com mais de 60 anos devem evitar a sua utilização. Cada mulher tem a sua própria história familiar, seu próprio perfil de risco, seus próprios sintomas, necessidades e medos. Sendo assim, o melhor a se fazer é discutir o caso de cada mulher com um médico experiente na área.

A resposta final sobre a TRH não fora de cogitação e mais estudos, com certeza, serão publicados – alguns até irão contra ao que acreditamos agora. Mas com certeza abordaremos esse tema novamente, aqui no Mais Saúde!

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Novos caminhos para a terapia de reposição hormonal feminina was last modified: junho 17th, 2016 by

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