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Médicos questionam se mamografia é adequada para identificar câncer de mama

Artigo publicado recentemente em British Medical Journal tem provocado debates acalorados sobre os métodos disponíveis para a detecção do câncer de mama. O assunto, que por si já é alvo de controvérsias, abriu novo tópico para discussão: a mamografia seria apropriada para a identificação da doença?

Estudo, conduzido por grupo médico da Universidade de Toronto, afirma que a mamografia pode não ser apropriada para o rastreamento do câncer de mama. A resposta imediata de muitos médicos foi a de que o artigo é “incrivelmente enganoso” e “profundamente falho”, opinião reforçada pelo Colégio Americano de Radiologia.

Segundo o radiologista sênior do Massachusetts General Hospital, Dr. Daniel Kopans, a conclusão do estudo pode ser prejudicial. “Seria um ultraje para as mulheres se o acesso ao rastreamento do câncer de mama for reduzido”, afirma.

Mas os autores do estudo são enfáticos. “Não encontramos absolutamente nenhum benefício em termos de redução de mortes decorrentes da utilização de mamografia”, reforça Dr. Anthony Miller, um dos principais autores do estudo.

Dr. H. Gibert Welch, da Dartmouth College of Medicine e autor do livro Superdianosticado: Fazendo as pessoas doentes em busca de saúde, reforça a opinião. Para ele, “a mamografia foi promovida, seus benefícios foram exagerados e seus danos parecem ter sido minimizados”.

Resultados

O estudo canadense (disponível aqui via British Medical Journal) durou 25 anos e envolveu cerca de 90 mil mulheres com idade entre 40 e 59 anos. Durante os cinco primeiros anos, elas foram divididas em dois grupos. Neste primeiro período, metade das mulheres realizou anualmente exames de mama, conduzidos manualmente por profissionais, incluindo mamografia. A outra metade realizava os exames também anualmente, mas sem a mamografia.

Os resultados mostraram que as mulheres submetidas apenas a exames realizados por profissionais, sem realização de mamografias, apresentaram o mesmo risco de morrer de câncer de mama ao longo de 25 anos que o outro grupo. Desta forma, os pesquisadores concluíram, em editorial intitulado Mamografia demais, que “a justificativa para o diagnóstico por mamografia precisa ser urgentemente reavaliado”.

Argumentos

Outro argumento reforçado pelo estudo é que, apesar de a mamografia detectar câncer inicial, muitos deles são tão pequenos e irão crescer tão lentamente que, ao longo da vida da mulher, não cresceriam o suficiente para causar problemas. Mas é difícil para um médico afirmar com certeza quais irão se desenvolver. Dessa forma, quando um possível câncer é visto na mamografia, não importa quão pequeno ele seja, os médicos se sentem obrigados a fazer biópsia e, caso confirmado, seguir com tratamentos adicionais, como cirurgia e até a remoção da mama.

Há, ainda, a questão dos falsos positivos, que são os pontos identificados como possíveis cânceres na mamografia, mas que não são confirmados na biópsia. A situação não é incomum e, sempre que acontece, leva a períodos de estresse e preocupação à paciente até que o resultado final seja dado.

Além disso, há especialistas que alegam que a realização de mamografia por muitos anos pode contribuir para o desenvolvimento de câncer, em especial quando começam a ser feitas em pessoas jovens.

Se as mamografias são realmente adequadas para detecção de câncer é bastante complexo e polêmico. Se você está em dúvida, converse com seu médico. Nós, do Mais Saúde, também incentivamos os profissionais da saúde a escrever para nosso blog sobre o assunto. Entre em contato e participe do debate.

Se você precisar encontrar um médico em qualquer lugar do Brasil, use o nosso site principal: www.procuramed.com.

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Médicos questionam se mamografia é adequada para identificar câncer de mama was last modified: junho 15th, 2016 by

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