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Conscientização sobre a coerção sexual e reprodutiva

De acordo com um relatório do Congresso Americano de Obstetrícia e Ginecologia, que será divulgado em fevereiro de 2013, há um problema significativo ocorrendo nos Estados Unidos: a “coerção sexual e reprodutiva”, isto é, homens agindo de forma coercitiva contra as mulheres. E é muito provável que o mesmo esteja ocorrendo também no Brasil.

O comportamento coercitivo inclui “tentativas explícitas de engravidar a parceira contra a sua vontade, controlar os resultados da gestação, forçar a mulher a ter relações sexuais desprotegidas e interferir nos métodos contraceptivos.” Segundo uma pesquisa realizada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (EUA), em 2010, cerca de 5% das mulheres afirmaram ter um parceiro íntimo que tentou impedi-las de usar um método contraceptivo e tentou engravidá-las contra sua vontade.

Curiosamente, na mesma pesquisa, cerca de 9% dos homens relataram ter sofrido pressão de uma parceira para engravidar contra a vontade deles. Porém, o relatório atual, emitido pelo Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas, aborda principalmente a questão das mulheres forçadas a engravidar por seus parceiros.

As notas do Congresso, que exemplificam o comportamento coercitivo masculino, incluem: “esconder, negar ou destruir os contraceptivos orais da parceira; rasgar ou abrir buracos na camisinha de propósito ou retirar o preservativo durante as relações sexuais; não interromper o coito (impedindo a ejaculação no interior da vagina) quando esse foi o método de contracepção acordado; e retirar anéis vaginais, adesivos anticoncepcionais ou dispositivos intrauterinos (DIUs)”.

O Congresso também observou uma forte associação entre este tipo de coerção e violência ou abuso sexual por parte do parceiro. Um estudo de 2010, feito com 71 mulheres vítimas de violência ou abuso sexual, mostrou que 53 delas relataram que os respectivos cônjuges também estavam tentando controlar suas escolhas reprodutivas.

As recomendações do Congresso são de que obstetras e ginecologistas “filtrem”, nos exames de rotina, as mulheres adolescentes e adultas vítimas de coerção, violência e abuso sexual. Recomenda, ainda, que sejam instaladas placas na sala de espera, afirmando que as mulheres devem ser consultadas pelo médico sem a presença do parceiro, pelo menos, em parte da consulta, para que elas tenham confiança de contar o problema se necessário.

Para mulheres nessa situação, podem ser oferecidas contracepções de longo prazo, como implantes anticoncepcionais ou DIU. Se o DIU for utilizado, as cordas do dispositivo podem ser cortadas para que se tornem invisíveis ao homem, impedindo a retirada do dispositivo contra a vontade da mulher. Mas há mais opções disponíveis.

Finalmente, é interessante, e de fato triste, que, muitas vezes, o objetivo do homem não é ter um filho realmente e, sim, controlar sua parceira. Homens assim podem forçar o sexo com a mulher com ou sem camisinha.

A coerção sexual é um problema muito difícil e delicado de lidar e não é tão incomum quanto se pensa. Portanto, todos nós precisamos estar conscientes dessa questão: principalmente, os médicos, as mulheres em idade fértil, seus amigos e familiares, e fazermos o que pudermos para coibir a coerção sexual e reprodutiva.

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Conscientização sobre a coerção sexual e reprodutiva was last modified: junho 17th, 2016 by

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