parto natural

Brasil ainda lidera ranking de cesarianas desnecessárias

Há muito tempo, os partos no Brasil deixaram de seguir as indicações ideais. O país é um dos recordistas mundiais de cesarianas, feitas em mais de 43% dos partos – quando o indicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é que não ultrapasse 15% dos nascimentos nacionais. Mas, ao contrário do que muitas mães pensam, a cesariana não é apenas uma questão de escolha. Ela pode influenciar, e muito, o futuro e a saúde do bebê.

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Pesquisa divulgada em fevereiro por um grupo de médicos britânicos analisou dados sobre nascimentos em dez países. Os resultados, publicados na revista médica Plos One, constatou que bebês nascidos por cesariana mostraram entre 22% e 26% mais chances de terem excesso de peso ou obesidade quando chegarem à idade adulta, em comparação aos bebês nascidos naturalmente.

Também é de conhecimento da comunidade médica que bebês que nascem por cesariana apresentam maior probabilidade de desenvolverem dificuldades respiratórias, baixos níveis de açúcar no sangue e maior risco de precisarem passar uma estadia na unidade de terapia intensiva neonatal.

Para as mães, os riscos também não são poucos. A cesariana é um procedimento cirúrgico de grande porte, com maior tempo de internação e maiores despesas. Além disso, a parede do útero fica mais fraca depois da incisão cirúrgica. Assim, se a mulher quiser que o próximo parto seja natural, ele será mais arriscado.

Infelizmente, desenvolveu-se no Brasil uma falsa ideia de status a partir da cesariana. Com a popularização dos planos de saúde, médicos passaram a fazer muitos atendimentos diários e a facilidade de agendamento do nascimento acabou sendo vendida como necessidade.

Outro estudo, publicado por pesquisadores brasileiros no British Medical Journal  em 2011, faz uma crítica dura a esta prática: “Nas últimas décadas, o Brasil tem sido um dos países com maior proporção de partos por cesariana no mundo. De acordo com dados de uma pesquisa nacional de saúde, a taxa de cesariana geral no Brasil em 2006 foi de 43,6 %, mas no setor privado pode ser mais do que 80%. Mais de 850 mil cesarianas desnecessárias estão sendo feitas a cada ano na América Latina, e quase a metade delas ocorrem no Brasil.”

Assim como o Brasil, outros países tem buscado diminuir essas estatísticas, mas ainda estão bem longe do ideal. De acordo com um relatório de 2011 da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE), a taxa de cesariana no Reino Unido, por exemplo, foi de 23,7%. Nos Estados Unidos, o índice é de 32,4%. No topo da lista de cesarianas ficaram a China, com 46,2% dos nascimentos, e o Brasil, com 47,4%. Entre os países mais próximos dos 15% indicados pela OMS, os escandinavos tiveram as melhores estatísticas, todos com menos de 20%.

Embora seja um tema complexo e polêmico, é essencial que as mulheres estejam bem informadas sobre os prós e contras da cesariana. E que, a partir das informações, façam a escolha que se mostrar melhor e mais segura.

A seguir, indicamos alguns links que trazem informações valiosas sobre o assunto:

O parto normal em extinção no Brazil (Veja.com)

Parto normal ou cesárea? Quem decide- o médico, a mãe, o bebê? (Epoca)

https://www.facebook.com/orenascimentodoparto (Facebook Fanpage para o filme O Renascimento do Parto:  http://www.orenascimentodoparto.com.br)

Labor, interrupted (Harvard Magazine, in English)

C-Sections Deliver Cachet for Wealthy Brazilian Women (npr.org; in English)

 

 

 

 

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