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O alongamento pode não ser tão bom quanto se pensava

Se você for a uma academia levantar peso ou praticar aeróbica, é provável que passe alguns minutos alongando vários músculos. Provavelmente, você acredita (assim como muitos treinadores) que o alongamento diminui o risco de lesões e melhora seu desempenho.

Contudo, um número crescente de fisiologistas está chegando à conclusão oposta, isto é, a de que se alongar antes dos exercícios nem ajuda a prevenir lesões nem melhora o desempenho na academia.

Hoje, apresentamos dois estudos internacionais, os quais lançam mais dúvidas sobre os benefícios do alongamento.

Existem, basicamente, dois tipos de alongamento: estático e o dinâmico. O estático refere-se às posições de “estátua”, durante a “esticada”, de uma região muscular, por uma média de 30 segundos. O alongamento dinâmico envolve movimentos rápidos, como por exemplo, o polichinelo (levantar os braços e abrir as pernas). As pesquisas, abordadas hoje, tratam apenas do alongamento estático.

O primeiro estudo foi publicado na edição de Março da Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sports. Os pesquisadores da Universidade de Zagreb (Croácia) revisaram os dados de centenas de estudos anteriores sobre o tema. Por meio da “meta-análise” e de métodos estatísticos sofisticados, verificaram se o alongamento estático era benéfico ou não.

Os cientistas concluíram que ele não era vantajoso. Descobriram que, em média, o exercício reduzia a força dos músculos alongados em cerca 5,5%, e que a perda foi ainda maior entre as pessoas que passaram mais de 90 segundos alongando um único músculo.

Os pesquisadores descobriram ainda que o alongamento reduziu o poder da musculatura em até 2,8%. Nesse sentido, o “poder muscular” é a resposta do organismo quando alguém precisa de um músculo para sustentar uma súbita explosão de força, como, por exemplo, durante uma corrida, ou um bloqueio a um arremesso de bola, no basquete, ou num saque de tênis.

O segundo estudo foi publicado este mês no The Journal of Strength and Conditioning Research. Nesse caso, pesquisadores americanos estudaram 17 homens, de 18 a 24 anos. O desempenho dos voluntários foi avaliado com base no padrão de: agachamento com alongamento e agachamento sem alongamento antes do exercício.

Os últimos resultados confirmaram os dados do estudo croata. Sem o alongamento, os homens foram capazes de levantar um peso 8,3% maior do que conseguiram se alongando antes de se agacharem. E também sentiram-se 23% menos estáveis após o alongamento. Os autores da pesquisa recomendaram alongamento dinâmico e não estático.

Este post pode colocar em dúvida algo que você considerava benéfico para sua saúde. Mas isso é uma coisa boa. Não devemos ter medo de questionar e reavaliar as coisas que fazemos, como as ideias para sermos mais saudáveis.

No entanto, quando uma série de estudos bem conduzidos contradiz a nossa “sabedoria convencional”, devemos, no mínimo, considerar mudar nossos velhos hábitos. As mudanças de perspectiva são recorrentes na medicina.

Porém, se você gosta de se alongar, não é um problema continuar com o exercício. Como diz o Dr. Robert D. Herbert, professor do Instituto George para Saúde Global (Universidade de Sydney): “Há poucas evidências que o alongamento faça algo importante para o corpo. Mas se você gosta de se alongar, deve fazê-lo. Por outro lado, se não gosta, ou está sempre com pressa para realizar seus exercícios, não perderá caso decida por não esticar-se”.

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O alongamento pode não ser tão bom quanto se pensava was last modified: abril 9th, 2013 by

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