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Exercício físico e função de memória

Muitos de nós ficaríamos felizes em encontrar uma maneira de melhorar o desempenho de nossa memória, e um estudo, publicado pela revista Neuroscience, sugere um caminho para que a maioria das pessoas atinja este objetivo.

Pesquisas anteriores mostraram que o exercício físico induz a liberação de uma proteína chamada “fator neurotrópico derivado do cérebro” (BDNF), a qual estimula o crescimento de novas células e conexões de células cerebrais, conduzindo a um melhor funcionamento do cérebro e clareza de pensamento. Varia com os genes de cada um, mas algumas pessoas produzem mais BDNF que outras durante a prática dos exercícios.

Para este estudo, realizado pelo Dartmouth College (New Hampshire, EUA), foram recrutados 54 adultos, com idades entre 18 e 36 anos. Todos eram saudáveis, mas nenhum deles praticava atividade física regularmente. Os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos aleatoriamente. Ao longo de um período de quatro semanas, metade dos pacientes foi colocada em um programa de exercício supervisionado de caminhada ou corrida, quatro vezes por semana, por, pelo menos, 30 minutos por sessão. A outra parte dos recrutados não fez nenhum exercício adicional, permanecendo sedentária.

No início da pesquisa e, novamente, ao final dela, os participantes foram submetidos a testes de memória computadorizados. Eles foram apresentados a uma série de imagens em uma tela de computador e, depois, a outra, sobre as quais lhes foi questionado se as fotos individuais da segunda mostra fizeram parte ou não da série anterior.

Os participantes também foram submetidos a testes genéticos para verificar se possuíam os genes que lhes dariam a possibilidade de produzir uma quantidade significativa de BDNF ao se exercitarem.

Como um toque adicional ao estudo, no último dia da avaliação, os pesquisadores pediram a alguns dos voluntários para exercitar-se apenas antes do teste para verificar se não haveria um impulso imediato da memória. Isto é: seriam mesmo necessárias quatro semanas de atividades físicas ou apenas uma sessão de aeróbica seria suficiente para melhorar a memória?

Os pesquisadores descobriram que sim, que as quatro semanas de exercícios foram necessárias para melhorar a memória, sendo que o melhor desempenho foi daqueles que se exercitaram durante as quatro semanas e imediatamente antes do teste final.

Aproximadamente, 30% dos indivíduos tiveram “azar” nos genes de BDNF, isto é, sua natureza impede a maior produção dessa proteína após o exercício. Assim, essas pessoas não apresentam melhora na performance da memória após o programa de exercícios.

Será possível, algum dia, fazermos um exame de sangue e comprovarmos se temos “sorte” com os genes BDNF ou não. Mas, atualmente, esse teste está disponível apenas em laboratórios de pesquisa.

Note-se que este estudo mediu, tão somente, a “memória de reconhecimento de objeto” e nenhum outro tipo, como, por exemplo, a habilidade de recordar rostos ou nomes e memórias de longo prazo constituídas desde a infância.

Sobre a memória de reconhecimento de objetos, no entanto, alguns de nós poderão obter mais benefícios com exercício do que outros.

Não temos controle sobre a “sorte” de nascer com os genes BDNF. Porém, um dos autores do estudo, o Dr. David Bucci, observa que, se considerarmos todos os tipos de memória, o exercício aeróbico regular parece ser muito benéfico.

Se você ler este blog regularmente, saberá de muitos outros benefícios resultantes da prática regular de atividades físicas: ossos mais fortes, melhor vida sexual, diminuição do risco de câncer e muito mais.

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Exercício físico e função de memória was last modified: junho 17th, 2016 by

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