gene homem

Como os exercícios mudam nossos genes

Todos sabemos que praticar exercícios é bom para nosso organismo, mas muitos de nós não nos exercitamos tanto quanto gostaríamos. Um estudo recente do Instituto Karolinska, em Estocolmo, pode nos dar mais um motivo para começarmos logo. O estudo mostrou como a prática de exercícios muda nossos genes.

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Publicado na edição de dezembro da revista Epigenetics, o estudo buscou mostrar exatamente o que acontece com nossos genes após o exercício. Para isso, os pesquisadores pediram aos voluntários que exercitassem apenas uma das pernas por um período de três meses. O passo seguinte foi comparar os genes das células musculares da perna exercitada com os da perna que não foi trabalhada.

Nossos genes são longas cadeias de DNA e determinam muitas características fixas, como a cor de nossos olhos e da nossa pele. Eles também têm uma forte influência sobre as características variáveis, como a nossa saúde ao longo da vida. É por causa dessa influência, chamada de “epigenética”, que podemos ou não desenvolver certas doenças, entre elas o câncer de mama.

Todos nós temos genes potencialmente “bons” e genes “maus” em nosso DNA. Muitas vezes, alguns deles permanecem sem exercer influência em nosso organismo, o que pode ser uma coisa boa – como no caso do desenvolvimento do câncer. E, embora não possamos mudar os genes que possuímos, podemos influenciá-los de acordo com nosso estilo de vida.

A epigenética inclui a forma como os genes são influenciados para qualquer trabalho, expresso ou não. Uma das formas dessa influência é por meio de um processo de metilação, que é a ligação dos chamados grupos metilo (-CH3, um átomo de carbono e três átomos de hidrogénio) para o gene.

Visualmente, esses grupos metílicos podem ser pensados como moluscos ou crustáceos que se ligam ao exterior do DNA, que forma cordões de genes longos. Assim, o DNA forma um cordão no qual os grupos metílicos aderem externamente. Por vezes, estes grupos metilo fazem com que o gene se expresse. Mas, por outras, eles podem bloquear a função dos genes, tanto bons quanto maus.

Voltando ao estudo sueco publicado na Epigenetics: 23 homens e mulheres saudáveis participaram da experiência. Eles tiveram que pedalar uma bicicleta especialmente equipada que só trabalhou uma das pernas durante todo o período. Pedalaram 45 minutos, quatro vezes por semana, durante três meses. Antes e depois deste período, foram feitas biópsias musculares em cada indivíduo, comparando as duas pernas.

Quando os investigadores fizeram análise sofisticada das cadeias de DNA das células dos músculos das duas pernas, encontraram mais de 5 mil locais no gene que tinham diferentes padrões de metilação. Muitos dos grupos metilo percebidos pelos pesquisadores são conhecidos por serem potencializadores dos genes que influenciam a forma como o corpo utiliza a energia, como a insulina responde ao açúcar, e o nível de inflamação nos músculos. Na perna exercitada, esses genes apresentaram aumento de atividade. Na perna não exercitada, eles não foram alterados.

Então, se você precisa de outro motivo para começar seus exercícios, pense sobre o nível molecular e sobre como seus genes podem ajudar seu organismo a funcionar melhor.

Também aproveitamos este post para, em nome da ProcuraMed, agradecer a todos os nossos leitores que nos apoiaram em 2014. No próximo ano, prevemos algumas mudanças, entre elas a adoção de um novo formato para o blog, mais simplificado e melhorado.

Desejamos a todos boas festas e tudo de mais saudável em 2015.

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