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Cabeceadas na prática esportiva podem causar dano cerebral

Nos últimos anos, houve interesse considerável em pesquisas sobre atletas e trauma crônico na cabeça, especialmente, na prática do boxe. Os boxeadores avaliados apresentaram maior índice de depressão, agressividade, impulsividade e perda da memória, bem como de doenças mais graves, como a doença de Parkinson, epilepsia e Alzheimer.

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Há, até mesmo, um termo médico para a demência encontrada em alguns pugilistas de longo prazo: “demência pugilística”. Muitos especialistas pediram a proibição desse esporte.

Depois de assistir ao torneio de boxe feminino, nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, o chefe de Biologia Molecular de Doenças Neurológicas, da Universidade College, Londres, disse que “não devemos buscar diversão, assistindo a pessoas infligirem danos cerebrais umas nas outras. Para mim, como neurocientista, é quase surreal”.

Não é difícil imaginar por que ocorre o dano. Novas e poderosas técnicas de ressonância magnética têm demonstrado que as principais lesões na cabeça, tendo como causa a prática esportiva, provêm do boxe, futebol americano e do futebol, pois os impactos provocam micro-hemorragias cerebrais e, provavelmente, rasgam as células neuronais.

Parte do dano pode até ser secundário, como uma resposta “autoimune” do organismo, ou seja, o sistema imunológico ataca nossas células saudáveis. Pancadas na cabeça podem produzir o rompimento da barreira, normalmente intacta, entre o cérebro e o sistema sanguíneo. Uma vez aberta, as proteínas “escapam” por essa fenda, o que desencadeia a resposta imune.

Em 27 de fevereiro deste ano, o jornal PlosOne publicou um estudo realizado com jogadoras de futebol do ensino médio. O grupo selecionado deveu-se ao fato de que a taxa de lesões cerebrais em meninas só não ultrapassa a dos jogadores homens de futebol americano.

Os pesquisadores queriam detectar uma possível queda da atividade mental após uma partida na qual todas as meninas cabecearam a bola muitas vezes, algumas delas, até 20 vezes.

Para medir o funcionamento do cérebro, foi feito um teste chamado “antiponto”, administrado por iPads. Nessa avaliação, os pesquisadores mostraram quatro quadrados, na tela do tablet, sendo um deles brilhante.  O teste tem esse nome porque a tarefa é identificar com um toque, e o mais rápido possível, o quadrado oposto com brilho.

Os resultados revelaram que as meninas que cabecearam a bola mais vezes tiveram desempenho pior do que aquelas que não usaram a cabeça na partida. Em outros testes, porém, as jogadoras de futebol tiveram performance tão boa quanto as não-jogadoras, e nenhuma delas apresentou problemas acadêmicos.

Em relação aos resultados do teste do antiponto, os neurocientistas afirmam que nem as atletas nem seus pais devem ficar excessivamente preocupados, já que o dano foi leve. No entanto, depois de muitos anos cabeceando a bola, poderá haver acúmulo de lesões, o que parece ser um tanto perigoso.

Mais estudos serão realizados em jogadores de futebol nos próximos anos. Aqui, no Mais Saúde, você estará constantemente  atualizado sobre novidades nesta e em outras áreas da saúde.

Enquanto isso, jogadores de futebol, interessados no funcionamento cerebral ideal, devem limitar as cabeçadas. Além disso, há um consenso crescente entre os médicos de que crianças abaixo de 12 anos não devem praticar cabeceadas de bola.

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