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A corrida realmente leva à artrite do joelho?

Talvez vocês (assim como o editor deste blog) já tenham sido aconselhados por seu médico ou treinador a ficar longe das corridas para evitar a artrite do joelho. Mas dois estudos, publicados em julho e setembro, no Medicine and Science in Sports Exercise, sugerem que este conselho é mais mito do que boa ciência.

Os autores concluíram que a corrida não aumenta o risco de osteoartrite do joelho ou do quadril. Na verdade, a conclusão deles foi oposta, a de que a corrida é o tipo de exercício que ajuda a engrossar a cartilagem do joelho e a proteger a articulação de lesões a longo prazo.

O estudo publicado em julho, feito pelo Lawrence Berkeley National Laboratory, recrutou mais de 75 mil corredores, participantes da Corrida e Caminhada Nacional pelos Estudos de Saúde, de 1991 até 2002.

A conclusão geral foi a de que “não houve nenhuma evidência de que a corrida aumenta o risco de osteoartrite, incluindo a participação em maratonas”. E mesmo que pareça ser contra a lógica, os dados mostraram que a taxa de artrite em caminhantes sérios foi quase duas vezes maior que a dos corredores. Os pesquisadores acreditam que isto se deve ao fato dos corredores serem mais leves, pois o excesso de peso é prejudicial à cartilagem do joelho.

No segundo estudo, publicado em setembro, com o título “Por que a maioria dos corredores não têm osteoartrite do joelho?”, pesquisadores canadenses e americanos compararam a quantidade de peso ou a força aplicada no joelho de corredores contra o dos caminhantes.

Eles descobriram que os corredores empreenderam cerca de três vezes mais força para cada passo dado, porém, o tempo do impacto para os corredores foi muito mais curto do que para os pedestres. Assim, os corredores tiveram um número menor de impactos (uma vez que os passos eram mais longos para os corredores). O resultado desses vários fatores demonstrou que a corrida e a caminhada produziram, aproximadamente, a mesma força global do joelho em uma distância equivalente.

O Dr. Ross Miller, um dos pesquisadores, observa que a cartilagem do joelho parece beneficiar-se com o movimento rítmico e para a frente, como o da corrida, pois deve estimular as células da cartilagem a se dividirem e se reabastecerem. Portanto, uma certa quantidade de estresse, aplicado de maneira correta, faz com que a cartilagem do joelho fique mais forte. É um conceito semelhante ao do levantamento de peso. Ao forçar o tecido muscular, você faz com que as células do músculo se desenvolvam e se fortaleçam.

O jornalista científico Alex Hutchinson, autor de um blog na revista Runner’s World, diz: “As pessoas pensam que a articulação é apenas uma dobradiça estática e inerte, que se desgasta, mas, na verdade, é algo vivo e dinâmico, que pode responder ao estresse, adaptar-se e ficar mais forte”.

Fatores mais importantes para o desenvolvimento da artrite do joelho são o histórico familiar e a obesidade. A história da família é impossível de controlar, porém, a obesidade é tratável. Outra causa importante da artrite é o trauma, que pode ocorrer a partir da corrida, mas, mais provavelmente em esportes de contato físico ou que exigem mudanças bruscas de direção. Lesões de tendão ou ligamento criam um tecido cicatricial conjunto, que pode causar tensões articulares anormais e a osteoartrite mais tarde.

Agora, esses estudos não significam que, se você estiver sentado no sofá, poderá simplesmente levantar-se e começar a correr longas distâncias, especialmente, se já teve problemas no joelho ou lesões. Você deve falar com um médico, de preferência um especialista em Medicina do Esporte, antes de começar a correr. Mas a pesquisa é uma boa notícia para a maioria de nós, que não precisa mais temer a corrida.

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A corrida realmente leva à artrite do joelho? was last modified: junho 16th, 2016 by

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