Woody Allen

Woody Allen e a hipocondria

Woody Allen, famoso por ser cheio de neuroses, escreveu um artigo sobre suas ansiedades e seus medos de ficar doente, em 12 de janeiro, para o New York Times. Em Hipocondria: Um olhar para dentro, detalha muitas das “doenças” que imaginou para si mesmo ao longo dos anos e como o mais leve sintoma faz com que, instantaneamente, conclua que o pior está acontecendo dentro dele:

Woody Allen

O ponto é que estou sempre certo de que peguei algo ameaçador para a minha vida. Não importa se poucas pessoas encontram morto de lábios rachados. Toda dor, até leve, me manda a um consultório médico na necessidade de garantia.

Mesmo quando os resultados do meu check-up anual mostram saúde perfeita, como posso relaxar sabendo que, na hora em que eu sair do consultório médico, algo pode começar a crescer em mim e, durante um ano inteiro, passando à minha volta, o raio-X mostrará meu peito parecido com um Jackson Pollock [pinturas bagunçadas]? Aliás, essa preocupação incessante com a saúde, me fez totalmente um especialista médico amador…

Apesar de o artigo de Woody Allen ser divertido, ele não nos dá respostas reais sobre como controlar a hipocondria. Mas, se você sofre com o problema ou conhece alguém que o tenha, pode muito bem reconhecer as situações de que ele fala. Ao acordar com uma leve tensão ou dor de cabeça, já conclui que está com um tumor inoperável no cérebro ou, se sente uma dor de estômago, pensa ser o início de uma úlcera ou algo pior.

A hipocondria afeta até 5% da população e, normalmente, começa por volta dos 20 anos, podendo eclodir a qualquer momento, especialmente, após uma doença ou um susto médico com um amigo ou parente. A doença atinge igualmente homens e mulheres e, muitas vezes, aumenta e diminui ao longo da vida de uma pessoa.

A hipocondria é considerada um tipo de transtorno de ansiedade, algo parecido com o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). A pessoa que tem TOC pode verificar várias vezes se a porta foi trancada, assim como o hipocondríaco verifica, compulsivamente, a internet quanto a doenças e sintomas.

É bom para nós estarmos informados sobre o que está acontecendo com nossos corpos, porém, o hipocondríaco é excessivamente ciente de quaisquer mudanças. Quando algo é notado, ele não é capaz de desligar essa consciência e, muitas vezes, conclui se tratar de uma doença debilitante ou fatal.

A internet facilitou o sustento das ansiedades dos hipocondríacos. As informações médicas disponíveis na internet são tão extensas que é certo encontrar resultados do tema, em qualquer busca no Google, que alimentem a ansiedade de uma pessoa doente.

Muitos doentes visitam, com frequência, médicos em unidades de emergência, tipicamente, vários médicos, pedindo exames e raios-X para confirmar ou negar os seus medos. E mesmo se os testes forem feitos e os resultados forem bons, o hipocondríaco continuará preocupado, que algo pode ter passado, e buscam mais opiniões médicas e mais exames.

Não é fácil obter uma “cura” para a hipocondria, contudo, algumas medidas podem ser tomadas para ajudar o doente. Ao longo do tempo, muitos reconhecem que o seu problema é mais mental do que físico (como no caso de Woody Allen), muito provavelmente, o sintoma observado é mais uma manifestação de sua ansiedade do que o fim de sua vida.

Aqui estão algumas dicas que podem ajudar:

1)   Procure um médico atencioso e experiente em que você confie e que possa, objetivamente, controlar sua saúde e seus sintomas preocupantes. Você pode querer um médico que passe mais tempo a ouvi-lo ao invés de só pedir vários exames, que podem ser desnecessários e, a longo prazo, prejudiciais. Você pode concordar com um check-up regular no intervalo de poucos meses e, de tempos em tempos, conversar sobre todos os seus sintomas.

2)   Muitas pessoas obtêm alívio com um psicólogo ou psiquiatra pela terapia da conversa e, muitas vezes, um dos medicamentos antidepressivos mais modernos pode ajudar.

3)   Resista à compulsão de procurar todos os sintomas e todas as doenças na internet. Isso não é fácil para um hipocondríaco, mas o doente precisa reconhecer que buscar informações excessivamente apenas alimenta o problema, como em um ciclo vicioso ou uma drogadição. Só não faça isso! Boa sorte!

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