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Um esforço para diminuir práticas médicas desnecessárias

Nos Estados Unidos, em parte porque o sistema de saúde é muito caro, tem havido um grande esforço para diminuir custos. Especialistas em saúde pública acreditam que há muito desperdício no sistema e que vários testes, procedimentos e cirurgias realizados são desnecessários e realmente prejudiciais aos pacientes. Alguns estimam que o tratamento desnecessário constitua um terço da despesa médica nos Estados Unidos.

Um diretor executivo de renome do American Board of Internal Medicine Foundation”– que atua como um conselho de profissionais da medicina – disse que “muitos testes são um desperdício e poderiam colocar os pacientes em risco de dano, sem quaisquer benefícios . O objetivo é mudar atitudes, tanto do lado público e do lado médico, já que, por vezes, menos é melhor”.

A Fundação, recentemente, solicitou que cada uma das principais sociedades de especialidades médicas, pertencentes às associações que controlam os melhores médicos do país, propusesse até cinco maneiras de melhorar o sistema de saúde americano e, ao mesmo tempo, medidas para cortar custos. As várias sociedades apresentaram 90 sugestões. Você pode ler a lista completa aqui.

Muitas delas estão escritas em termos técnicos, direcionados a médicos. Mas, selecionamos 10 dessas recomendações e adaptamos os termos técnicos a uma linguagem acessível ao público. A ideia é estimular a reflexão e o debate com seu médico e verificar se alguns desses casos aplicam-se a você ou aos seus familiares.

1)   Não submeter o paciente à tomografia computadorizada (TC) dos seios paranasais ou usar indiscriminadamente antibióticos para sinusite aguda não complicada.

As infecções virais são a causa da maioria dos casos de sinusite aguda, e apenas 2% evoluem para infecções bacterianas. A maioria das ocorrências de sinusite mais aguda é resolvida em duas semanas e sem tratamento. A maioria dos casos pode ser diagnosticada por meio do histórico e exame do paciente, não sendo necessário pedir uma TC dos seios paranasais.

2)   Não faça raios-x para dor lombar nas primeiras seis semanas a não ser que identifique a presença de sinais de alerta.

Sinais de alerta incluem graves ou progressivos déficits neurológicos e suspeitas de sérias condições subjacentes, como a osteomielite. Tirar raios-X da coluna lombar antes de seis semanas não melhora os resultados e só aumenta os gastos.

3)   Não solicitar eletrocardiogramas anuais ou quaisquer outros testes de coração para pacientes de baixo risco e sem sintomas.

Há pouca evidência de detecção da doença arterial coronariana em pacientes sem sintomas e com baixo risco de doença cardíaca. Testes com resultados incorretos levam a condutas prejudiciais, pois podem acabar em procedimentos invasivos desnecessários, tratamentos em excesso e diagnóstico errado. Danos potenciais do rastreio de rotina anual excedem o benefício potencial.

4)   Não fazer testes para a aterosclerose da artéria carótida em pacientes adultos que não têm sintomas.

Há evidências de que em pacientes adultos, sem sintomas de aterosclerose da artéria carótida, os danos da triagem superam os benefícios. O rastreio pode levar a cirurgias desnecessárias, resultando em sérios danos, incluindo acidente vascular cerebral (AVC) e ataque cardíaco.

5)   Não prescrever antibióticos orais para infecção simples do ouvido exterior.

Antibióticos orais têm efeitos adversos significativos e não tratam as bactérias que causam a maioria dos episódios. Ao contrário, gotas de antibióticos pingadas na orelha curam a maioria dessas infecções.

Leia as outras 5 recomendações do American Board of Internal Medicine Foundation em nosso próximo post.

Se você precisar encontrar um médico em qualquer lugar do Brasil, use o nosso site principal: www.procuramed.com.

Um esforço para diminuir práticas médicas desnecessárias was last modified: fevereiro 26th, 2013 by

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