unidade de terapia intensiva

Transtorno de estresse pós-traumático depois da UTI

Felizmente, mais e mais pessoas estão sobrevivendo a internações em unidades de terapia intensiva (UTI). Contudo, os psiquiatras descobriram que um número significativo de pacientes está desenvolvendo transtorno de estresse pós-traumático depois de deixar o hospital.

unidade de terapia intensiva

Esses indivíduos podem apresentar sintomas de pânico, problemas de sono, incluindo pesadelos, flashbacks, fobias, sentimentos de distanciamento, depressão ou ansiedade generalizada, que podem durar anos após a alta. Longas estadias na UTI, com intervenções mais intensas, como respirar com a ajuda de aparelho ou sedação prolongada, aumentam o risco da doença.

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é um transtorno de ansiedade, descrito, pela primeira vez, em soldados que retornavam das guerras, no século 19. Desde então, é reconhecido em pacientes que sofreram uma série de experiências severamente estressantes, como um desastre natural, assalto, estupro, violência doméstica ou um acidente de carro.

Estudos recentes mostram que o TEPT pode ocorrer em até 35% das pessoas que passaram pela UTI. Membros da família e amigos também podem ser afetados por vivenciarem esse período com o paciente. Estar naquela unidade como um observador pode ser bastante traumático para alguém não acostumado a ambientes médicos.

Não é difícil de entender que pacientes sedados e entubados com um tubo de respiração plástico na garganta, sofram alucinações durante a sua hospitalização. Podem, por exemplo, acreditar que há um furacão do lado de fora de sua janela, que os enfermeiros estão conspirando contra ele ou qualquer outro tipo de pensamento paranoico.

Estar em uma UTI pode ser uma experiência severamente traumática. Os pacientes podem passar semanas usando um respirador e acreditar que o aparelho não será mais retirado. Passam por muitos testes, agulhadas, raios-X, uso de cateteres, e assim por diante, em um ambiente estranho, mal iluminado em todas as horas e com sons estranhos de monitores e alarmes.

Ao considerar essas questões, faz sentido supor que tantos pacientes sofram de TEPT pós-UTI. Às vezes, a razão pela qual são internados, como um ferimento a bala ou um acidente, por exemplo, é por si mesma severamente traumática, e a experiência com a UTI apenas agravaria essa situação.

Agora que os médicos começam a reconhecer o TEPT em ex-pacientes de UTI, alguns deles já estão trabalhando para minimizar os eventos traumáticos no hospital e reduzir os riscos. A sedação, por exemplo, é muitas vezes necessária quando um paciente tem de usar um tubo de respiração, mas há maneiras de minimizar as chances de traumas, e a Sociedade de Medicina Intensiva lançou, recentemente, novas diretrizes para orientar os médicos.

A ideia é que a sedação, quando necessária, produzirá menos problemas no futuro se for mais leve que “pesada”. Manter um diário sobre as ocorrências na UTI, por enfermeiros ou familiares, e entregar ao paciente após a alta hospitalar, pode ser de grande ajuda no combate aos efeitos produzidos pelas experiências alucinatórias.

Se você ou quaisquer entes queridos passaram pela UTI, é bom estarem cientes desse problema. Se houver necessidade futura desse tipo de internação, discuta com médicos e enfermeiros formas de reduzir os traumas.

Mas caso os sintomas do TEPT ocorram depois de deixar o hospital (e os sintomas podem só aparecer meses depois), o aconselhamento psiquiátrico e, por vezes, o uso adequado de medicamentos podem ajudar a curar essa condição.

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Category : Doenças