Terapia alternativa para câncer

Terapia alternativa para câncer: isso funciona?

Pessoas diagnosticadas com câncer que escolhem tratamento alternativo ao invés do tratamento convencional têm risco global 2,5 vezes maior de morrer em comparação com as que escolhem tratamentos padrão. Esta foi a descoberta recém-publicada no Journal of the National Cancer Institute (EUA).

Pessoas que acabam de ser diagnosticadas com câncer podem ter medo e se sentir vulneráveis. Quando um médico sugere uma terapia padrão, como cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou alguma combinação, muitas pessoas se perguntam se pode haver um tratamento mais fácil e com menos efeitos colaterais. Este estudo sugere que a alternativa pode soar melhor no momento, mas não é o melhor caminho a seguir.

Decisão pode não ter volta

Um exemplo famoso de pessoa que optou por terapias alternativas foi Steve Jobs, ex-CEO da Apple. Ele foi diagnosticado com uma forma rara de câncer de pâncreas em outubro de 2003. Embora o tipo de câncer que ele desenvolveu fosse curável com cirurgia, Jobs optou por terapias alternativas. Durante nove meses, ele tentou uma dieta vegana, ervas, acupuntura, dietas de jejum, limpeza intestinal e consultou um vidente.

Depois dos nove meses de tratamentos alternativos, o câncer de Jobs se espalhou pelo fígado. Foi quando ele decidiu se submeter a uma cirurgia para retirá-lo, mas, àquela altura, o câncer já havia se tornado incurável. De acordo com o biógrafo de Jobs, Walter Isaacson, “durante nove meses, ele se recusou a ser submetido a uma cirurgia para o câncer — a decisão que ele mais se arrependeu quando sua saúde declinou”.

Terapia alternativa por tipo de câncer

No estudo publicado pelo Instituto Nacional do Câncer, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale identificaram 281 pessoas com câncer de mama, próstata, colorretal e pulmão que escolheram tratamentos alternativos em vez de convencionais. Eles encontraram um conjunto de 560 pessoas com mesmos gêneros e idades, com os mesmos tipos de câncer e que escolheram terapias convencionais.

Cinco anos após o diagnóstico, os resultados mostraram que, em geral, uma pessoa que escolheu a terapia alternativa apresentou risco 2,5 vezes maior de morrer durante o período em comparação com uma pessoa que escolheu o tratamento convencional. Mas o risco dependia do tipo de câncer.

Para câncer de mama, o risco foi 5,68 vezes maior; para o pulmão, 2,17 vezes maior; para câncer colorretal, 4,57 vezes maior. Curiosamente, para o câncer de próstata, o risco não foi maior para os homens que escolheram tratamentos alternativos. Isso ocorre porque o câncer de próstata geralmente cresce lentamente, e raramente uma pessoa morre por câncer de próstata dentro de cinco anos após o diagnóstico.

O estudo também permitiu concluir que, entre as pessoas que desenvolveram câncer colorretal, por exemplo, 79% das que fizeram tratamento convencional sobreviveram. Comparativamente, a taxa de sobrevivência foi de apenas 33% entre as pessoas com o mesmo tipo de câncer, mas que optaram por tratamento alternativo.

Este estudo sugere fortemente que, embora os tratamentos convencionais para câncer possam parecer assustadores, não é provável que a escolha pelo que parece ser um tratamento “mais tranquilo” seja tão efetivo. Felizmente, a maioria dos cânceres hoje é curável, e a tendência da terapia convencional contra câncer é usar cirurgias menos extensas e menores doses de quimioterapia. Por outro lado, uma pessoa que adota uma abordagem alternativa está assumindo um risco significativamente maior.

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Category : Doenças