Parede do estômago com as células produtoras de ácido gástrico.

Quando o uso de antiácido se torna um problema para saúde

Nas duas últimas décadas, a incidência da doença de refluxo ácido tem aumentado significativamente. Com o aumento da doença, aumenta também o uso de medicamentos que aliviam os sintomas. Neste grupo, os mais potentes são os chamados “inibidores da bomba de prótons (IBP)”, que têm o omeprazol como um dos representantes mais populares. O medicamento é geralmente seguro para uso a curto prazo, mas os médicos especialistas alertam para possíveis problemas de uso a longo prazo, especialmente se tomado regularmente por um ano ou mais.

Os inibidores da bomba de prótons têm esse nome porque inibem (ou praticamente param) a produção de ácido nas células do estômago (processo chamado de “bomba de prótons”). Quando se toma IBPs todos os dias por longos períodos de tempo, o processo de digestão pode ser prejudicado, já que ele é dependente do ácido produzido no estômago.

Alguns alimentos só conseguem ser completamente digeridos a partir da ação do ácido estomacal. Ele também é fundamental para a liberação de determinados nutrientes encontrados nos alimentos. Usando IBPs por longos períodos, nosso organismo não absorve tão bem alguns elementos fundamentais, como magnésio, cálcio e ferro. Essa deficiência pode levar a efeitos secundários, como:

1) A diminuição da absorção de cálcio pode conduzir a um risco aumentado de fraturas ósseas, especialmente na anca, pulso e coluna vertebral.

2) A diminuição da absorção de magnésio pode levar a problemas de ritmo cardíaco, espasmos musculares e até mesmo a convulsões.

3) A ausência de ácido do estômago aumenta o risco de infecção causada por um tipo de bactéria chamada Clostridium, o que pode causar diarreia grave.

4) IBPs têm sido associados a um maior risco de pneumonia.

6) IBPs pode ter interações adversas com outras medicações como a digoxina, alguns diluentes de sangue, e drogas diuréticas para hipertensão

7) Em pessoas que estão no limite anêmico, o uso de IBPs pode agravar o quadro, já que reduz a absorção de ferro.

8) Quando se tenta para de tomar os IBPs, não são raros os casos do fenômeno chamado de “rebote”. Nele, os pacientes acabam tendo o problema de ácido agravado temporariamente logo que interrompem o uso, mais do que era antes de começar a usar o IBPs. Isso acaba desestimulando muitas pessoas a deixarem de usar o medicamento.

Quanto mais velho o paciente e quanto maior o tempo que utilizou IBPs, maior a frequência com que esses sintomas secundários aparecem.

Se você sofre com refluxo ácido, é importante saber que existem outros medicamentos para a doença e que não oferecem esses riscos – como a ranitidina, um “inibidor de H2”. Também é importante reforçar que os IBPs são seguros para a maioria das pessoas, desde que usados por períodos curtos de tempo.

Vale lembrar que grande parte dos casos de refluxo podem ser bastante amenizados com mudanças na alimentação e no estilo de vida, não apenas com medicamentos. Se possui alguma dúvida, fale com seu médico.

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