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Parece Alzheimer mas pode não ser…

Se você tiver um velho amigo ou parente que tenha sido identificado com a doença de Alzheimer, sabe o quão devastador o diagnóstico pode ser. Provavelmente, a maioria das pessoas não sabe que até 30% dos diagnósticos de Alzheimer estão errados e que cerca de 20% de todos os casos de demência são de fato tratáveis.

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A edição de 27 de agosto, do Wall Street Jornal (EUA), continha um extenso artigo intitulado “Trabalho de detetive: Diagnóstico de Falso Alzheimer”.

Vale a pena que nós, aqui, também possamos discutir este problema, especialmente, para alertar as pessoas de que alguns casos de demência podem ser tratados – mesmo curados.

Na pesquisa apoiada pelo Instituto Nacional do Envelhecimento (EUA), e publicada na edição de abril do Journal of Neuropathology and Experimental Neurology, os médicos estudaram dados da autópsia feita em cerca de mil pessoas diagnosticadas com a doença de Alzheimer. Eles descobriram que até 30% tinham outras causas para sua demência e que nenhuma delas era o Mal de Alzheimer.

É compreensível que os médicos identifiquem o Alzheimer em excesso, pois a única maneira de fazer o diagnóstico 100% correto é por autópsia (o que não é bom para quem está vivo, respirando!). Às vezes, não se sabe ao certo a causa da demência, e os pacientes acabam diagnosticados com Alzheimer, o que, aliás, representa de 60% a 80% dos casos das perdas das capacidades cognitivas graves.

Na realidade, no entanto, alguns destes indivíduos têm uma outra causa de demência, como “demência vascular” (uma série de silenciosos “mini-derrames”), ou “comprometimento cognitivo leve” (mais suave do que o Mal de Alzheimer), doença de Parkinson, ou uma infecção cerebral, tais como a doença de Creutzfeldt-Jakob, entre outras. Como o Alzheimer, essas formas de demência não têm cura, mas a questão fundamental é reconhecer quando um paciente realmente tem uma causa tratável, e não Alzheimer, como se suspeitava.

Aqui estão algumas das principais causas tratáveis, possivelmente curáveis, de demência:

1. Alguns medicamentos de prescrição podem imitar a demência, especialmente quando uma pessoa idosa toma múltiplos remédios freqüentemente recebidos de vários médicos diferentes, sendo que nenhum deles tenha ciência de todos aqueles que o paciente está ingerindo.

Existem mais de cem medicamentos diferentes com efeitos colaterais que podem imitar a doença de Alzheimer, e aqui estão alguns dos tipos: anti-histamínicos, pílulas para dormir, analgésicos, medicamentos ansiolíticos ou antipsicóticos, alguns antidepressivos antigos, antiácidos, medicamentos para baixar o colesterol, comprimidos para incontinência, antirrefluxo, medicação para pressão arterial, tranquilizantes, remédios para o coração, estômago e doença de Parkinson;

2. Depressão grave;

3. Reação tóxica ao álcool ou uso de drogas ilícitas;

4. “Hidrocefalia de pressão normal”, que é um acúmulo de líquido no interior do cérebro e, após sua remoção, a pessoa pode voltar ao normal;

5. Os desequilíbrios hormonais ou deficiências nutricionais, como de vitamina B12 e ácido fólico;

6. Doenças graves do rim, fígado, pulmonar ou tumor cerebral.

Se alguém for diagnosticado com Alzheimer, é importante para os membros da família, ou outros cuidadores, levarem em conta essas outras causas potenciais de demência e certificarem-se de que o(s) médico(s) fizeram um exame completo, com testes como tomografia, exames de sangue, possivelmente, um toque espinhal e, até mesmo, os tipos mais sofisticados de imagens do cérebro. Um olhar cuidadoso sobre a lista de medicação do paciente é sempre necessário.

É claro que você não quer assumir que a demência de um ente querido possa ser em decorrência de, por exemplo, uma medicação e parar com ela sem consultar os médicos. Uma boa ideia é ter uma avaliação completa feita por um neurologista, mas todos, médicos e familiares, devem ficar alertas para outros diagnósticos possíveis.

Para saber como anda a saúde do seu sistema nervoso visite o seu neurologista. Caso você necessite encontrar um você pode fazê-lo em nosso site: www.procuramed.com.

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