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O que é o efeito placebo nas pesquisas científicas

Se você lê o nosso blog regularmente, já notou que, frequentemente, ao descrevemos uma pesquisa, relatamos conceitos como: metade dos participantes do estudo recebeu “esse” e “aquele” tratamento e a outra metade, um placebo.placebo

Nas pesquisas científicas, os placebos são importantes. Para as nossas publicações semanais, escolhemos os melhores estudos; e os melhores são aqueles “duplo-cegos e controlados por placebo”. Em geral, evitamos apresentar dados de estudos que não usaram o placebo como grupo de controle.

Placebo, que provém do verbo em latim placere,  significa “eu agrado”.  Trata-se de uma pílula ou tratamento Inativo que não tem efeito real sobre o corpo humano. Por exemplo, se pesquisadores estiverem testando um novo medicamento para um determinado efeito, normalmente, darão à metade dos participantes do estudo o novo remédio e à outra metade, um comprimido semelhante em gosto e aparência — ou o mais próximo possível do comprimido real —, mas sem a droga ativa em si.

Usar um placebo, por si só, no entanto, não é suficiente. Para fazer uma pesquisa a mais honesta possível e sem tendenciosidades, o estudo deve ser “duplo-cego”. Isso significa que nem os participantes do estudo nem os próprios pesquisadores sabem quem recebe a droga real ou quem recebe o placebo. O código só é quebrado para identificar os que receberam o medicamento no final do estudo. Isto é fundamental para diminuir a chance de manipulação de resultados por parte do pesquisador.

Esse tipo inclinação é sempre possível, particularmente, em estudos patrocinados por empresas farmacêuticas, que esperam da droga o efeito ideal e planejado. Caso a pesquisa não seja “duplo-cega”, há “tentação” demais para distorcer a pesquisa em favor da droga.

Mas, por que um placebo é mesmo necessário? Por causa do “efeito placebo”, ou seja: pessoas que tomam a pílula ou fazem um tratamento (incluindo um procedimento cirúrgico), acabam desejando, em algum nível do seu subconsciente, que o procedimento funcione e que seja eficaz. De algum modo, o corpo do paciente trabalha em um nível complexo de interação com a sua mente, promovendo a sensação de melhora.

A porcentagem de pessoas que se sente melhor ao receber o placebo varia e depende do tipo de placebo, do objeto de estudo ou do tratamento. No caso, por exemplo, de pesquisas com medicamentos para dor ou depressão, a porcentagem das pessoas que mostram um efeito positivo do placebo é grande.

Um placebo aplicado por injeção geralmente causa uma melhor resposta do que um placebo por via oral. De forma geral, mais ou menos uma a cada três pessoas parece receber um efeito placebo positivo em estudos de investigação.

Mas os placebos não são apenas comprimidos ou injeções. Também são aplicados em procedimentos de “falsa” acunpuntura e, mais raramente, de cirurgia placebo. Neste último caso, um grupo é submetido à uma cirurgia real e o outro passa por uma simples incisão. O grupo placebo, contudo, é costurado do mesmo modo como as pessoas que passaram pelo procedimento completo e, depois, os resultados dos dois grupos são comparados entre si.

O efeito placebo é complexo e o seu funcionamento ainda não é totalmente conhecido, mas, demonstra o poder da conexão mente-corpo — tema que abordaremos mais profundamente nas próximas semanas.

Se você precisar encontrar um médico em qualquer lugar do Brasil, use o nosso site principal: www.procuramed.com.

Leia também na ProcuraMed (estudo que utilizou um placebo de acupuntura):

*Um grande estudo mostra o valor da acupuntura

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