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O câncer de mama está “superdiagnosticado”?

Programas de rastreio do câncer – para encontrar neoplasias no estágio inicial – têm recebido créditos por salvar vidas de câncer de mama, pele, cólon e de próstata. Ainda assim, ao longo dos últimos anos, muitos desses programas tornaram-se controversos, pois os médicos estão tentando determinar: 1) quem deve ser rastreado; 2) quantas vezes o rastreio deve ser feito; e 3) qual é a melhor técnica de rastreio (exame, raio-x, exame de sangue, etc.).

Em relação ao câncer da mama, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) publicou diretrizes para o seu diagnóstico. Para as mulheres de 40 a 49 anos, a recomendação é  “o exame clínico anual e a mamografia diagnóstica no caso de resultado alterado”.

Para as mulheres na faixa etária de 50 a 59 anos, a recomendação é “a realização de mamografia a cada dois anos e um exame clínico anual”. Dependendo do exame clínico e dos fatores de risco, a ordem e os testes podem ser modificados e, às vezes, mulheres com menos de 40 anos também devem ser rastreadas. É importante dizer que os programas de avaliação da mama são particulares para cada caso, e isso é algo que você deve discutir com seu médico.

Aqui, apresentamos uma novidade que você, talvez, queira conversar com seu médico. Dois estudos, publicados recentemente, sugerem que os programas de rastreio do cancro podem ser responsáveis por uma taxa significativa de “superdiagnóstico” de câncer de mama, ou seja, com a mamografia digital avançada, radiologistas podem detectar lesões tão pequenas, as quais nunca teriam sido encontradas com as técnicas de 20 anos atrás. No entanto, alguns desses tumores podem até nem se desenvolver, causar sintomas, espalhar-se ou apresentar qualquer risco para a vida da paciente.

Sim, em alguns casos, os cânceres muito pequenos podem continuar com o mesmo tamanho ao longo de muitos anos. Mas esse é um problema com o qual os médicos ainda não sabem como lidar: ao encontrar um tumor em fase inicial, diferenciar qual irá crescer e qual permanecerá estacionado, sem causar problemas. Assim, por medida de segurança, a tendência é a de tratar todos os cânceres encontrados.

Um estudo publicado em 22 de novembro, no New England Journal of Medicine (EUA), concluiu que 31% dos casos de câncer de mama são “superdiagnóstico”. A outra pesquisa, publicada em 3 de abril de 2012, na revista Annals of Internal Medicine, estudou 39.888 mulheres norueguesas e concluiu que entre 18% e 25% dos cânceres encontrados por meio dos programas de rastreio também foram “superdiagnosticados”.

Este conceito pode ser surpreendente para as pessoas que cresceram com a ideia de que todos os tumores precisam ser tratados, tão logo sejam descobertos, e o mais cedo possível. Porém, a ciência médica realmente precisa adquirir a habilidade de distinguir se um câncer, em fase inicial, vai crescer e arriscar a vida da paciente ou se permanecerá pequeno e não irá causar problemas à saúde.

Um dia, os médicos serão capazes de dizer isso pelo exame do material genético do câncer ao invés de confiar no que aparece sob o microscópio (a técnica atual). O diretor médico da Sociedade Americana do Câncer diz: “Eu acredito que o que nós precisamos é de uma definição de câncer para século 21”.

A esperança é a de que um tumor pequeno, com características de câncer “benigno”, isto é, que não irá crescer, seja apenas acompanhado ao longo do tempo para verificar se irá se desenvolver ou não, antes de submeter o paciente à uma cirurgia traumática e / ou radioterapia, com riscos acompanhados, cicatrizes e complicações.

Este é um tema complexo e polêmico. Alguns experts acham que esse conceito de “superdiagnóstico” é totalmente incorreto. Contudo, lembramos que você não deve decidir sozinha sobre seu próprio diagnóstico ou rastreamento; para isso, fale com o seu médico. Nosso objetivo é  conscientizá-la sobre esta nova vertente e, para mais informações, clique nos links desse post. Como esse link do Programa Nacional de Controle do Câncer de Mama do INCA.

O câncer de mama está “superdiagnosticado”? was last modified: junho 17th, 2016 by

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