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A relação entre perda de audição e declínio mental

Muitos estudos têm mostrado que um fator importante para pessoas que desenvolvem demência ou “declínio cognitivo” precoce é o seu relacionamento social. Quem está conectado a outras pessoas, que sai de casa para realizar atividades como visitar amigos, ir a um clube, ver filmes com outras pessoas ou, até mesmo, jogar cartas, tem um risco menor de desenvolver a demência.

Parece haver uma forte correlação entre: quanto mais uma pessoa sai e interage com os outros, menor a chance de ter declínio cognitivo, e quanto mais isolada e solitária ela se sente, maior é o risco.

Por isso, não causou surpresa quando os pesquisadores, liderados pelo Dr. Frank Lin, do Johns Hopkins “Centro do Envelhecimento e da Saúde” (Baltimore, EUA), realizaram um estudo para verificar se existe uma ligação entre a perda auditiva e funcionamento do cérebro.

Essa pesquisa foi realizada com adultos de idade avançada. Contudo, Dr. Arthur Wingfield, o diretor de Neurociências, da Universidade Brandeis (Massachusetts, EUA), fez uma pesquisa semelhante em jovens adultos, e afirmou que as conclusões do estudo da Universidade Johns Hopkins também se aplicam a essa faixa etária mais jovem.

O grupo do Dr. Lin começou a pesquisa em 1997, com cerca de 2 mil idosos, com idade média de 77 anos. Todos os voluntários iniciaram o estudo com funcionamento normal do cérebro (todos eles marcaram mais de 80 pontos no Mini-Exame do Estado Mental Modificado). Assim, ao longo de 11 anos, a saúde mental dos pacientes foi continuamente reavaliada e, no quinto ano de estudo foram feitos testes auditivos em todos os participantes.

Surpreendentemente, os pesquisadores descobriram que as pessoas que tiveram uma perda auditiva de grau leve (perda de 25 decibéis = perda “leve”) desenvolveram problemas cognitivos em velocidade de 30% a 40% maior do que aqueles que não apresentaram o problema. Quanto pior a deficiência auditiva pior a taxa de declínio mental.

Esses resultados, embora aparentemente extremos, fazem sentido. As pessoas que não podem ouvir, independentemente de sua idade, perdem nas interações sociais.

À medida que envelhecemos, especialmente, o cérebro precisa exercitar-se mais, assim como os músculos, senão, atrofia e encolhe. Como já apresentado anteriormente, no Mais Saúde, o exercício físico beneficia em muito o cérebro com o passar da idade, mas também é necessário interagir com outras pessoas.

Assim, se uma pessoa não ouve bem, ao longo do tempo, perde a vontade de conversar (é preciso um grande esforço para a leitura labial), acaba dando-se por vencida e retrai-se ainda mais – situação oposta àquela que os idosos deveriam vivenciar.

O que pode ajudar, nessa situação, é: se você ou um familiar seu suspeita de ter algum problema auditivo, procure um otorrinolaringologista para fazer um exame e um teste de audição.

Caso um aparelho auditivo seja recomendado, é certamente válido tentar usá-lo. Ao contrário do uso dos óculos para problemas de visão, infelizmente um aparelho auditivo geralmente não é uma solução perfeita, mas, com um pouco de tempo para se adaptar ao dispositivo, esse auxílio pode trazer muitos benefícios e inseri-lo novamente na sociedade.

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Leia também na ProcuraMed:

*Duas dicas para fazer o seu cérebro crescer

*Como melhorar a memória dos jovens adultos

 

 

A relação entre perda de audição e declínio mental was last modified: junho 17th, 2016 by

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