Violência provoca o envelhecimento prematuro das crianças

Violência provoca o envelhecimento prematuro das crianças

Um novo estudo realizado pela Universidade Duke, nos Estados Unidos, mostrou que crianças que sofrem exposição à violência, apresentam modificações no DNA, o que pode levar à alterações celulares equivalentes a 7-10 anos de envelhecimento biológico precoce.

Violência provoca o envelhecimento prematuro das crianças

O estudo, publicado na revista Molecular Psychiatry, avaliou o envelhecimento biológico através do estudo dos telômeros, uma porção de DNA presente nas extremidades dos cromossomos e que ficam mais curtos a cada divisão celular.

Estudos anteriores já haviam mostrado que adultos que vivenciaram experiências de violência, enquanto eram crianças, tinham telômeros mais curtos do que aqueles com uma infância não-violenta, porém os cientistas não haviam conseguido determinar se os telômeros haviam se desgastado em virtude do estresse na infância ou por causa de problemas de saúde posteriores.

Nesse sentido, o presente estudo avaliou 236 crianças britânicas nascidas entre 1994 e 1995. De acordo com entrevistas realizadas com as mães das crianças, no momento em que completaram 10 anos de idade, 17% das crianças já haviam sofrido violência doméstica, 24% sofriam frequentemente bullying e 27% já haviam sido abusadas fisicamente por um adulto.

Para comparar o impacto desses eventos nos telômeros, os pesquisadores retiraram amostras de DNA das bochechas das crianças na época em que elas tinham 5 anos de idade e depois aos 10 anos de idade. Após comparar os comprimentos dos telômeros, os pesquisadores descobriram que as crianças com um histórico de dois ou mais tipos de experiência de violência, apresentaram significativamente mais desgaste nos telômeros em comparação com as outras crianças.

O pesquisador Idan Shalev, coordenador do estudo, avalia que as crianças que já experimentaram violência, são biologicamente mais velhas do que seus anos, e se o estresse causado pelo envelhecimento celular não for revertido, elas correm um maior risco de morte prematura. De acordo com os Shalev, uma dieta saudável, a prática de atividade física e a meditação, são fatores que podem parar o encurtamento dos telômeros, possibiltando que eles fiquem mais longos.

A professora Terrie Moffitt, co-autor do estudo, disse que os resultados, que evidenciaram a longo prazo estresse infantil pode criar danos, mostram que mais precisa ser feito para proteger as crianças tanto do bullying quanto do abuso familiar.  Ela diz que uma grama de prevenção vale um quilo de cura, e que se alguns dos bilhões de dólares gastos em doenças do envelhecimento, tais como diabetes, doenças cardíacas e demência, poderiam ser melhor investidos em proteger as crianças do mal.

Embora não esteja claro o modo pelo qual o estresse cumulativo pode causar o encurtamento dos telômeros, os pesquidadores acreditam que a inflamação, uma resposta do sistema imunológico ao estresse, pode desempenhar um papel no desagaste dos telômeros.

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Foto: google.com

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