Preconceito pode afetar saúde mental de adolescente homossexual

Preconceito pode afetar saúde mental de adolescente homossexual

Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, revela que fatores culturais podem fazer com que adolescentes com orientação homossexual tenham a saúde mental mais fragilizada, apresentando maiores porcentagens de transtorno depressivo e risco de suicídio, do que adolescentes heterossexuais.

Preconceito pode afetar saúde mental de adolescente homossexual

A pesquisa, intitulada “Homossexualidades na adolescência: saúde mental, qualidade de vida, religiosidade e identidade psicossocial”, e que foi a tese de doutorado da psicóloga Daniela Barbetta Ghorayeb, também, chama a atenção para a grande vulnerabilidade dos adolescentes a transtornos mentais.

De acordo com os resultados do estudo, 35% dos sujeitos que se identificaram como homossexuais apresentaram transtorno depressivo em algum momento da adolescência. Entre os entrevistados do grupo controle (heterossexuais), apenas 15% apresentaram transtorno depressivo. Já em relação ao risco de suicídio, 10% dos adolescentes homossexuais demonstraram alguma tendência. O grupo controle foi pareado por idade, escolaridade e gênero.

Segundo os resultados, o preconceito, principalmente na família, está entre os principais fatores de risco para a saúde mental dos adolescentes. O estudo mostrou que quando decidem se assumir para a família, os adolescentes podem experimentar sentimento de menos valia. Daniela observou que 35% deles internalizaram o sentimento de vergonha da orientação sexual a partir da suposição de que o outro está sentindo vergonha deles.

A psicóloga considera que o acolhimento do adolescente homossexual pela família funciona como fator de proteção em relação ao preconceito, sendo importante que a família aceite a diferença sem julgar, pois o adolescente que tem respaldo familiar pode sofrer menos fora de casa, e não se sente desconstruído como sujeito.

Num estudo anterior, realizado com adultos de orientação homossexual, a pesquisadora já havia descoberto que o impacto do preconceito na saúde mental é diferente entre homens e mulheres, sendo maior neles. Segunda a pesquisadora, a proximidade física entre mulheres é vista, em nossa cultura brasileira, com sendo algo mais natural, mas entre homens, sejam homo ou heterossexuais, o afeto é visto com preconceito. “Quando se pensa em duas mulheres juntas é como se aquilo não fosse tão escandaloso. Existe uma tolerância maior do que em relação aos homens”, explica ela.

Para a pesquisadora, a homossexualidade, que até 1986 era classificada no Brasil como um distúrbio mental, ainda, é um taboo em nosso país, mesmo na comunidade científica. Daniela estima a necessidade de algumas décadas para que haja mudanças de paradigmas na sociedade, e afirma que a psiquiatria brasileira ainda está no início de seus estudos associando saúde mental de homossexuais a fatores culturais. Ela observa que em países como Inglaterra e Escócia, onde já existêm muitos estudos científicos na área, o tema flui de forma menos estigmatizada.

Daniela afirma que os resultados obtidos através dos seus estudos já ajudam a diminuir a ignorância, além de fornecer às pessoas a chance de repensar aquilo que tinham em mente, sendo importante não só para psicólogos ou psiquiatras, mas para todos os profissionais de saúde, que, conhecendo melhor essa população, podem cuidar melhor do paciente.

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* Homofobia tende a ser maior entre pessoas que têm atração pelo mesmo sexo

Fonte: Jornal da Unicamp, com modificações feitas pelo editorial da ProcuraMed.

Foto: Fox

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