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O que acontece com os praticantes de bullying da infância quando crescem?

O que acontece com os valentões (praticantes de bullying) da infância – e com suas vítimas – depois que todos crescem? Apesar de sabermos do sofrimento por que passam as crianças maltratadas, o estudo apresentado hoje analisou a vida de pessoas intimidadas em idade escolar e das que perpetraram o assédio moral. O objetivo foi saber que tipo de adulto elas se tornaram por volta dos seus 20 anos.

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A pesquisa foi publicada, recentemente, na revista Psychological Science. Os pesquisadores analisaram 1.273 crianças da Carolina do Norte (EUA), com idades entre 9 e13 anos. As crianças foram avaliadas anualmente até completarem 16 anos; depois, com idades entre 19 e 21; e, finalmente, quando chegaram entre 24 e 26 anos.

Os pesquisadores analisaram os jovens adultos em relação à incidência de doenças, como obesidade, diabetes, câncer e asma, e a problemas com as finanças ou manutenção de um emprego.

Após a entrevista com os estudantes, quando ainda eram adolescentes, os cientistas os identificaram como pertencentes a um dos três grupos: crianças que foram maltratadas, crianças que intimidaram outras e crianças que foram tanto vítimas de bullying quanto maltrataram seus colegas.

As crianças mais saudáveis, em longo prazo, mental e fisicamente, foram as que não intimidaram outras crianças nem receberam qualquer tipo de intimidação.

Já os que praticaram a intimidação ou foram intimidados apresentaram taxas significativamente mais altas de problemas de saúde a partir dos 20 anos e eram mais propensos a ter problemas financeiros e de se manterem empregados. No longo prazo, as crianças vítimas-agressoras foram as que mais sofreram. Em inglês, usa-se o termo bully-victims para identificar esse tipo de caso, para o qual não há tradução em português.

Os bully-victims tinham probabilidade cerca de seis vezes maior de serem diagnosticados com uma doença grave, fumavam regularmente ou desenvolveram um transtorno psiquiátrico em comparação com aqueles não envolvidos no bullying.

Mas todos os três grupos formados por vítimas, agressores e vítimas-agressores mostraram ter mais problemas para manter amizades de longo prazo e relacionarem-se socialmente – até mesmo com seus pais, depois de crescidos.

É importante para os pais, professores e todos os adultos fazer algo para impedir os casos de bullying, que ocorrem dentro e fora das escolas. Os pais devem ajudar seus filhos, quando vítimas, a lidar com isso e apoiá-los psicologicamente, até para se prevenirem de problemas graves no futuro.

O psicólogo Guy Winch, especialista em assédio moral, menciona quatro maneiras de os adultos ajudarem as crianças “valentonas” ou maltratadas:

* Encontrar maneiras de reviver a sua autoestima e não deixar que se envergonhem e cultivem o ódio contra si mesmas;

* Tratar a dor emocional grave;

* Gerenciar surtos de raiva e agressividade, que são susceptíveis de ocorrer, não apenas contra outras pessoas, mas também contra si próprias;

* Restaure o sentimento de pertença, reforce a aceitação, valorize a criança e faça com que sinta amada.

O bullying não prejudica as crianças apenas no momento em que ocorre, mas leva a muitos problemas futuros, sobretudo, de saúde e finanças. O bullying é um problema de saúde pública, dado os níveis de pobreza e doenças psiquiátricas (com crime provável), que vêm aumentando em nossa sociedade. Todos nós nos beneficiaríamos se ajudássemos a acabar com isso.

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