Guia com 12 passos ajuda médico a dar más notícias para familiares

Guia com 12 passos ajuda médico a dar más notícias

Ser portador de uma “má notícia” não é nada fácil. O médico, muitas vezes, passa por situações em que ele é responsável em transmitir determinada informação que implica, direta ou indiretamente, alguma alteração negativa na vida do paciente e seus familiares.  De acordo com a Revista Brasileira de Educação Médica, por ser uma tarefa tão estressante, muitos profissionais a evitam ou a realizam de maneira inadequada.

Guia com 12 passos ajuda médico a dar más notícias para familiares

Para facilitar essa tarefa, a psicóloga Kátia Magalhães, coordenadora familiar do Programa Estadual de Transplantes do Rio de Janeiro, criou uma espécie de guia das más notícias – 12 passos que o profissional deve seguir para se comunicar melhor com o paciente e os familiares.

A ideia do protocolo surgiu em 2011, depois que Kátia participou do curso: Comunicação de Notícias Difíceis, oferecido a profissionais de saúde pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) e Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. No curso, Kátia tomou contato com o protocolo Spikes, método criado por médicos americanos, há dez anos, para nortear a comunicação de más notícias a pacientes com câncer. Então, adaptou o guia americano de seis etapas para a realidade dos transplantes, e ainda dobrou o número de “passos”.

“Na última década o Brasil dobrou o número de transplantes, realizando um total de 23.397 cirurgias em 2011, porémmuitos médicos se sentem incomodados em falar com os familiares de possíveis doadores. Eles entendem que já é um momento tão triste para a família que se sentem constrangidos de falar em doação. Mas as pesquisas depois do transplante revelam que para a família é como um conforto. Doar alivia o luto”, afirma a psicóloga.

De acordo com a psicóloga, cada família reage de uma forma diferente ao luto.”Algumas entram em um processo de negação, outras reagem violentamente; há ainda as que entram em apatia. Quanto mais capacitação tiver o profissional de saúde, mais ferramenta ele terá para lidar com o imponderável da situação. Não existe fórmula fechada para lidar com a comunicação da morte. A ideia dos 12 passos é ter um norte para seguir. Eles servirão de base para o profissional lidar com essa situação tão difícil,” disse ela.

As dicas parecem simples. Entre elas, usar linguajar acessível, evitar termos técnicos, certificar-se de que a família (ou o paciente) está entendendo o que ocorreu, observar as emoções da pessoa que está recebendo a notícia. O trabalho foi apresentado no Congresso Brasileiro de Transplantes, em outubro, e no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), nesta semana.

Protocolo amplo. Para o chefe da Área de Desenvolvimento de Políticas de Humanização do Into, Sérgio Catão, o protocolo adaptado por Kátia não se aplica apenas à hora de abordar a família de um doador, mas em outros momentos difíceis.

“As más notícias são diversas, de acordo com a característica da unidade. Aqui no Into temos outras más notícias: a amputação, o tratamento que não deu certo, a infecção que prolonga a internação. A má notícia às vezes é mal veiculada, sobretudo pelo médico. Queremos encontrar um caminho para facilitar essa comunicação”, afirmou.

Leia algumas das dicas do protocolo desenvolvido por Kátia:

Histórico
Conheça o histórico do caso.

Aviso
Certifique-se de que a família foi avisada da abertura do protocolo de morte encefálica.

Presença
Avise os profissionais de que a família tem o direito de estar presente nos exames.

Protocolo fechado
Certifique-se de que o protocolo está legalmente finalizado.

Preparar o ambiente
Busque um ambiente tranquilo para a entrevista. Convide o médico responsável.

Avaliar a percepção
Certifique-se de que o familiar entende o que está acontecendo.

Informação
Não use termos técnicos nem dureza excessiva. Observe as emoções dos envolvidos.

Tempo                                                                                                                                                                                                                                                                        Ofereça à família a oportunidade de se despedir do paciente. Avise-a do término da cirurgia para a retirada dos órgãos. Certifique-se de que o corpo está digno para o sepultamento.

Para encontrar um médico visite o site: www.procuramed.com

Foto: google.com

Fonte: Jornal Estadão, com modificações feitas pelo editorial da ProcuraMed.