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Estudo traça nova visão sobre uso de maconha entre adolescentes

Em meio ao debate no Brasil sobre a descriminalização da maconha, um estudo coloca ainda mais lenha na fogueira. Ao contrário do que muitas pessoas contrárias ao uso divulgam, a pesquisa aponta que a maconha não é prejudicial a longo prazo à saúde de jovens e adolescentes.

O estudo acaba de ser publicado pela Associação Americana de Psicologia e foi feito por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh School of Medicine e de Rutgers University (Philadelphia, Pennsylvania). Participaram 408 homens, negros e brancos, usuários e não usuários, acompanhados ao longo de 22 anos de pesquisa.

Quando começaram a ser acompanhados, os voluntários estavam com 14 anos de idade. Ao longo dos 12 anos primeiros de estudo, eles foram entrevistados a cada seis ou 12 meses para avaliar as condições de saúde e os hábitos de consumo da droga. Dez anos depois, quando o início da pesquisa já havia completado 22 anos, eles foram novamente entrevistados.

Nesta última entrevista, quando os participantes estavam com 36 anos de idade, foram feitas as análises finais sobre os impactos da droga sobre a saúde física e psicológica dos usuários. Fisicamente, eles foram questionados sobre problemas relacionados ao fumo, como asma, problemas respiratórios, alergias, dores de cabeça e pressão arterial elevada. Psicologicamente, foi verificada a incidência específica de depressão, ansiedade, ou alucinações consistentescom psicose.

Entre os padrões identificados, o primeiro se relacionava à frequência de uso: 46% não eram usuários ou usavam raramente, enquanto 54% haviam usado por um período mais significativo. “O que encontramos foi um pouco surpreendente. Não houve diferença em qualquer um dos desfechos de saúde mental ou física que nós medimos, independentemente da quantidade ou frequência de maconha usada durante a adolescência”, afirmou o principal pesquisador deste estudo, Jordan Bechtold, PhD.

Em outras palavras, os meninos que fumavam maconha tinham os mesmos perfis de saúde física e mental aos 36 anos que os meninos que não eram fumantes. Embora eles também não tenham encontrado diferenças raciais, uma limitação percebida do estudo é que não foram estudadas meninas.

Os autores reconhecem que o estudo contradiz algumas pesquisas anteriores, que demonstraram efeitos negativos na saúde. O argumento é que essas pesquisas mais antigas eram falhas em alguns aspectos. Por exemplo, os autores afirmaram que estudos sugerindo sérios problemas de saúde mental nos fumantes de maconha são falhos porque foram realizados em pessoas com problemas existentes de saúde mental. Ou seja, os pacientes com problemas mentais eram identificados e, em seguida, eram questionados se haviam sido fumantes de maconha. Muitos deles tinham sido, mas os autores de Pensilvânia afirmam que isso não significa que a maconha contribuiu para seus problemas.

É claro que este estudo publicado recentemente não põe fim à controvérsia. Também é certo que muitos mais estudos sobre o assunto serão publicados em breve. Manteremos você informado.

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Estudo traça nova visão sobre uso de maconha entre adolescentes was last modified: agosto 25th, 2015 by

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