Estudo de longo prazo mostra que maconha pode não prejudicar função pulmonar

Estudo de longo prazo mostra que maconha pode não prejudicar função pulmonar

A maconha é a droga ilícita mais utilizada no Brasil, tornando-se cada vez mais popular e menos estigmatizado seu uso nos últimos anos, particularmente entre jovens adultos. O uso crescente desta substância, traz consigo questões relacionadas às consequências médicas do seu uso a longo prazo e têm recebido mais atenção pela comunidade científica.

Estudo de longo prazo mostra que maconha pode não prejudicar função pulmonar

Um novo estudo publicado, nesta terça-feira, no Journal of the American Medical Association, mostrou que o uso ocasional de maconha, mesmo durante muitos anos, diferentemente do tabaco, não prejudica a função pulmonar. Os pesquisadores acompanharam mais de 5.000 pessoas por mais de duas décadas.

O estudo foi realizado em quatro cidades dos EUA (Oakland, Chicago, Minneapolis, e Birmingham), onde, primeiramente, entrevistou-se 5.115 participantes, homens e mulheres, e que posteriormente realizaram, repetidamente ao longo de 20 anos, testes para medir a função pulmonar. O teste da função pulmonar, é uma medida que olha para a quantidade de ar que uma pessoa pode forçar sair, depois de tomar uma respiração profunda, em um segundo e é tipicamente agravado pelo uso de tabaco.

Pesquisas anteriores já haviam sugerido que o impacto da fumaça de maconha, que contém alguns dos produtos químicos nocivos encontrados no tabaco, não é tão prejudicial para a função pulmonar como a fumaça do tabaco. Porém, muitos destes estudos que foram realizados, antes da publicação do presente (que financiado pelo Instituto Nacional da Saúde dos EUA), por um período de tempo relativamente curto e com amostras menores.

Nos testes os pesquisadores ainda descobriram que, comparados aos não fumantes, os usuários de maconha tiveram um desempenho no teste de função pulmonar um pouco melhor, embora a melhora tenha sido ínfima. “Mesmo com esse aumento pequeno no fluxo de ar, tenho que admitir que eu realmente duvido que haja qualquer aumento real na saúde do pulmão “, disse o Dr. Stefan Kertesz, professor associado da escola de medicina da Universidade de Alabama em Birmingham e um dos autores do estudo. Tal resultado, poderia ser explicado em virtude do “treinamento” de inalação profunda com posterior prendimento da fumaça.

Para o Dr. Donald Tashkin, pneumologista da Universidade da Califórnia, Los Angeles, que estuda a maconha por mais de 30 anos e que não estava envolvido no estudo, os resultados de vários estudos que mostram que “essencialmente” não há nenhuma relação significativa entre a exposição de maconha e comprometimento da função o pulmão. Ele disse que um motivo para isto acontecer é que, apesar de conter componentes nocivos semelhantes, a maconha seja menos prejudicial que o tabaco e que o THC, carabinóide presente na maconha, tenha efeitos anti-inflamatórios.

O Dr. Tashkin ainda disse que ele e seus colegas tinham encontrado em suas próprias pesquisas – inesperadamente – que mesmo fumando até três cigarros de maconha por dia, parece não causar uma diminuição da função pulmonar. “Eu acho que a linha de fundo é que não faz parece haver qualquer impacto negativo sobre a função pulmonar em virtude de fumar maconha”, disse ele, “E que, portanto, a maconha não é um fator de risco para o desenvolvimento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).” O tabagismo é o fator de risco mais importante para a DPOC, sendo esta doença uma das principais causas de morte entre os brasileiros.

Malefícios do uso:

No Brasil o uso de maconha é ilegal, além disto, no curto prazo fumar maconha irrita as vias respiratórias e pode causar tosse, causando outros prejuízos como a redução da atenção e motivação, além de aumentar o risco de acidentes. Ao longo de dias ou semanas, o uso crônico pode levar a problemas com a aprendizagem e memória. O presente estudo apresenta uma falta de efeitos negativos para com a função pulmonar, porém o mesmo não mensura nenhum outro possível efeito no pulmão em virtude do fumo de maconha, como, por exemplo, o câncer de pulmão (embora estudos anteriores já tenham sugerido que não existe aumento do risco).