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Cultura e Qualidade de Vida

Por Fidel Queiroz *

“Você não tem Cultura”. Aposto que um dia você já ouviu alguém pronunciar esta frase. A cultura de uma sociedade consiste em todos os conhecimentos, costumes e hábitos que foram transmitidos ao decorrer das gerações. Em outras palavras pode ser entendida como a identidade de tal grupo.

Biblioteca-Parque em uma favela de Medellín

O processo de globalização, potencializado pelo desenvolvimento tecnológico, oferece uma oportunidade nunca vista na história de estar em contato com diferentes culturas. Porém ver algo não necessariamente significa entende-lo, e daí se dá a importância da educação cultural durante nosso desenvolvimento pessoal.

Historicamente a promoção de espaços culturais (ex. bibliotecas, espetáculos musicais/teatrais, museus de arte e ciência), no Brasil, está restrita à poucas capitais e muitas vezes somente aos bairros com maior poder econômico. Como consequência de tal segregação de oferta cultural, ocorre um aumento do empobrecimento cultural de nossos cidadãos e da desigualdade social, afetando a cidade como um todo.

A Evolução Cultural, é o processo de mudança pessoal ou de uma cidade, e este está longe de ser algo simples e fácil, envolvendo autoconhecimento e também a quebra de paradigmas mentais e comportamentais. A Evolução Cultural envolve dois momentos: Choque Cultural e Transculturação. O Choque Cultural é caracterizado por todos as sensações e sentimentos que desenvolvemos frente a uma desconhecida cultura ou ambiente social. Isto é de fácil observação no momento em que fazemos uma viagem para outra cidade ou país. Em um primeiro momento analisamos a situação com surpresa, e com o decorrer do tempo começamos a questionar e criticar tais comportamentos diferentes do seu, encontrados neste novo ambiente. O tempo que cada um ficará nesta fase, é inversamente proporcional ao seu nível cultural. Um indivíduo com um elevado nível cultural possui grande resiliência, e tal capacidade promoverá uma compreensão e respeito mais rápido para com as diferenças, acabando muitas vezes por “pegar” para si comportamentos que julgue interessante desta nova cultura, ocorrendo uma modificação do estado inicial. Este momento denomina-se de Transculturação.

Para quem ainda duvida que cultura não muda uma realidade, dou o exemplo de Medellín na Colômbia, a qual tive oportunidade de visitar no início do ano. Após estar devastada pelas guerras do narcotráfico de Pablo Escobar e Cia, Medellín conseguiu criar nas diferentes camadas sociais, um sentido de pertinência da mesma para com a cidade, e isto só foi possível lograr, graças ao maciço investimento em cultura realizado nos últimos 20 anos. As campanhas de civilidade e educação ambiental, concomitantemente com a construção, na última década, de complexos culturais (Biblioteca-Parque) de última geração, feitos não exclusivamente nos bairros ricos, mas principalmente nas favelas onde há o maior déficit de oferta cultural, permitiram o aumento da qualidade socioeconômico e ambiental, refletindo na segurança e na cordialidade como você é tratado. Em Abril de 2010, foi inaugurada em Manguinhos (RJ), a primeira Biblioteca-Parque do Brasil, inspirada no projeto da cidade colombiana. Com vontade política e da sociedade, acredito veemente que Floripa ou outras cidades do Brasil, possam seguir tal exemplo.

O poder público, bem como a iniciativa privada, tem papel fundamental em ofertar espaços e ofertas culturais que sejam os mais diversos possíveis, não se restringindo a algo proveniente somente de um país X, como atualmente observa-se através da grande americanização de nossa cultura brasileira, devendo assim refletir o quão diverso é nosso país assim como o mundo, e que não existe certo ou errado, bem como não esquecer de valorizar a cultura tradicional da região em voga. Um fator que ajuda a absorver um maior espectro de informações, provenientes das mais variadas fontes espalhadas ao redor do globo, é a fluência em vários idiomas. O público que tem acesso à cultura, acaba apurando um maior senso crítico da realidade, conhece melhor seus direitos e deveres, e torna-se flexível para perceber, entender e conviver com o exótico, este não necessariamente precisando estar longe, podendo apresentar-se na forma do seu colega de aula ou trabalho, e até mesmo dentro da própria família.

* Editor de Conteúdo Procuramed

Cultura e Qualidade de Vida was last modified: julho 11th, 2016 by