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Oligoelementos e o risco de câncer de pâncreas

O câncer de pâncreas ganhou a mídia, ano passado, por ter sido o motivo da causa de morte de Steve Jobs, grande empreendedor norte-americano. Dito isto, um novo estudo, publicado mês passado no periódico GUT, descobriu que altos níveis corporais dos oligoelementos níquel e selênio, pode estar associado à risco reduzido de câncer de pâncreas, e que o alto níveis de arsênio, cádmio e chumbo podem aumentar tal risco.

O estudo, incluiu 118 de pâncreas pacientes com câncer e 399 pacientes com outros diagnósticos em vários hospitais em Espanha. Os pesquisadores analisaram amostras de unha com plasma, através da técnica de espectrometria de massa, que é altamente sensível para a detecção de oligoelementos.

Depois de controlar idade, sexo, tabagismo, diabetes e outros fatores, os cientistas descobriram que os indivíduos com os níveis mais altos de arsênio tinham um risco duas vezes maior de desenvolver câncer pancreático, comparados àqueles com concentrações mais baixas. Os que tinham altos níveis de cádmio tinham um risco três vezes maior de desenvolver câncer pancreático, enquanto que aqueles com os mais altos níveis de chumbo tinham um risco seis vezes maior. Os que tinham os níveis mais altos de níquel e selênio, por outro lado, tinham um risco significativamente menor de desenvolver câncer pancreático.

A Dra. Núria Malats, epidemiologista do Centro Espanhol de Pesquisa do Câncer e autora sênior do novo estudo, disse que essa era a primeira pesquisa a fornecer que este tipo de resultado com  tais oligoelementos, e que isso não significa que as pessoas devam começar a tomar suplementos dietéticos.

Saiba mais sobre o Câncer de Pâncreas*

Os tumores de pâncreas mais comuns são do tipo adenocarcinoma (que se origina no tecido glandular), correspondendo a 90% dos casos diagnosticados. A maioria dos casos afeta o lado direito do órgão (a cabeça). As outras partes do pâncreas são corpo (centro) e cauda (lado esquerdo).

Pelo fato de ser de difícil detecção, o câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade, por conta do diagnóstico tardio e de seu comportamento agressivo. No Brasil, é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes por essa doença.

Raro antes dos 30 anos, torna-se mais comum a partir dos 60 anos. Segundo a União Internacional Contra o Câncer (UICC), os casos da doença aumentam com o avanço da idade: de 10/100.000 habitantes entre 40 e 50 anos para 116/100.000 habitantes entre 80 e 85 anos. A incidência é mais significativa em homens.

Estimativas de novos casos: 9.320 (2009)
Número de mortes: 6.715, sendo 3.336 homens e 3.379 mulheres (2008)

Prevenção

Não fumar, evitar a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, além de adotar dieta balanceada, rica em frutas e vegetais, são medidas válidas para prevenir o câncer de pâncreas.

O tabaco aparece como principal fator de risco para o surgimento desse tipo de câncer. Quem faz uso do cigarro e seus derivados, tem três vezes mais chances de desenvolver câncer de pâncreas do que os não fumantes. E quanto maior a quantidade e o tempo de consumo, maior o risco. A doença também está relacionada ao consumo excessivo de gordura, de carnes e de bebidas alcoólicas, e à exposição a compostos químicos, como solventes e petróleo, durante longo tempo.

Pessoas que sofrem de pancreatite crônica ou de diabetes melitus, submetidas a cirurgias de úlcera no estômago ou duodeno, que sofreram retirada da vesícula biliar, bem como com histórico familiar de câncer têm mais chances de desenvolver a doença. Esse grupo deve se submeter a exames médicos periódicos.

* Fonte: INCA
Foto: apple.com

Oligoelementos e o risco de câncer de pâncreas was last modified: junho 17th, 2016 by